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Paleontologia

A primeira ave com bico

Michael Hanson e Bhart-Anjan S. Bhullar Imagem do crânio reconstituído de Ichthyornis dispar (no alto) e reprodução artística de sua provável aparênciaMichael Hanson e Bhart-Anjan S. Bhullar

Uma ave que viveu entre 95 milhões e 84 milhões de anos atrás onde hoje é a América do Norte indica como surgiu o bico nesses animais. A análise de quatro crânios fossilizados – um descoberto em 2014 e outros três guardados havia tempos em museus – permitiu a pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido reconstituir com precisão a cabeça da ave Ichthyornis dispar. Com o tamanho de um pombo, essa ave primitiva, descrita em 1873 pelo paleontólogo norte-americano Othniel Marsh, deveria se parecer com as atuais gaivotas e é considerada a espécie mais antiga a preservar dentes na maxila e na mandíbula – eles tinham cerca de 1 milímetro e só deviam ser visíveis com a boca aberta. A reconstrução do crânio da I. dispar sugere que uma pequena estrutura córnea, formada apenas por queratina, a proteína das unhas e dos chifres, teria surgido inicialmente na extremidade da maxila, um dos ossos da parte superior da boca (Nature, 3 de maio). “O primeiro bico era uma ponta de pinça córnea na extremidade da maxila”, contou o paleontólogo Bhart-Anjan Bhullar, pesquisador da Universidade Yale e coordenador do estudo, em um comunicado à imprensa. Nas aves modernas, o bico córneo recobre completamente a mandíbula, a maxila e outros ossos da boca. Segundo os pesquisadores, a ave I. dispar pode ser considerada como um organismo de transição entre os dinossauros e as aves modernas. Seu crânio abrigaria um cérebro relativamente grande e preservaria a musculatura da mandíbula semelhante à dos dinossauros que não deram origem às aves.

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