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Nobel de Literatura

Alice Munro ganha o Nobel de Literatura

Escritora canadense é especialista em contos, gênero homenageado pela primeira vez com o renomado prêmio

Alice Munro, em foto divulgada pelo Nobel

Shapton 09Alice Munro, em foto divulgada pelo NobelShapton 09

A Academia Sueca reconheceu pela primeira vez a importância do conto ao conceder o prêmio de Literatura à canadense Alice Munro, “mestre do conto contemporâneo”. O anúncio foi feito no dia 10 de outubro. Em entrevista a Adam Smith, do site do Nobel, ela reconheceu a expectativa de que o destaque lhe traga mais leitores. “Não só para mim, mas para o conto em geral”, disse. “Porque é muitas vezes desmerecido como algo que as pessoas fazem antes de escrever o primeiro romance. E eu gostaria que chegasse ao primeiro plano, sem condicionantes, de maneira que não precise haver um romance.”

Aos 82 anos, ela já publicou 14 coletâneas e recentemente anunciou que deveria parar de escrever. “Tenho feito isso por tantos anos, desde que eu tinha 20 anos. É muito tempo de trabalho”, disse a Smith. Mas quem sabe a premiação a faça mudar de ideia, admitiu ao entrevistador, que lhe pediu que recomendasse uma leitura como ponto de partida para quem não conhece seu trabalho. “Sempre achamos que o livro mais recente é o melhor. Pelo menos eu acho”, disse. Trata-se de Dear Life, que deve sair pela Companhia das Letras em novembro deste ano. A mesma editora já publicou O amor de uma boa mulher, Felicidade demais e Fugitiva.

Alice nasceu e cresceu numa fazenda em Wingham, Ontário, no sul do Canadá, onde seu pai criava raposas. Em vez de abraçar a vida de fazendeira, ela ainda criança decidiu que seria escritora. O ambiente dessa região, “na beira do Canadá, uma área plana e rural, com rios largos e cidades pequenas”, segundo definição de Peter Englund, Secretário Permanente da Academia Sueca, é o cenário de sua produção literária. “É onde ela se encontra seus assuntos e sua gente”, explicou ele, que também descreveu brevemente o modo que a escritora tem de tratar de pessoas e assuntos corriqueiros. “Ela é muito boa em capturar diferentes humores nas pessoas, sem ficar em cima do muro. Ninguém melhor do que ela desconstruiu o modelo central de amor romântico. Não apenas dizendo que significa isso ou aquilo, mas mostrando que as pessoas podem sentir coisas diferentes sobre ele. Ela é uma fantástica retratista de seres humanos.”

A canadense não deve comparecer à cerimônia de premiação em dezembro, por questões de saúde.

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