Prêmio CBMM
Imprimir PDF Republicar

Física

Antimatéria iluminada

Medições feitas pela colaboração Alpha, no Cern, indicam que o pósitron do anti-hidrogênio (ilustração) muda de órbita e absorve a luz de modo semelhante ao elétron do hidrogênio

CHUKMAN SO Medições feitas pela colaboração Alpha, no Cern, indicam que o pósitron do anti-hidrogênio (ilustração) muda de órbita e absorve a luz de modo semelhante ao elétron do hidrogênioCHUKMAN SO

Átomo mais simples e abundante no Universo, o hidrogênio é feito de um elétron, partícula de carga elétrica negativa, girando em volta de um núcleo composto por um único próton, partícula de carga elétrica positiva. Já os átomos de anti-hidrogênio são extremamente raros no Universo. São feitos de um antielétron, mais conhecido como pósitron – uma partícula igual ao elétron em todos os seus aspectos, mas com sua carga elétrica com sinal trocado –, circulando um antipróton, uma partícula em tudo idêntica ao próton, exceto pelo sinal invertido de sua carga elétrica. Entender por que praticamente toda a matéria do Universo parece ser feita apenas de átomos como o hidrogênio e não de antiátomos, como o anti-hidrogênio, é uma das grandes questões em aberto da física. Pela primeira vez, uma equipe internacional de físicos conseguiu medir com precisão como átomos de anti-hidrogênio interagem com a luz. As novas medições mostram que o pósitron do anti-hidrogênio muda de órbita absorvendo luz com o mesmo comprimento de onda que o elétron do hidrogênio (Nature, 19 de dezembro). Um dos empecilhos para realizar esse tipo de medição é a dificuldade de se criar e armazenar antiátomos em laboratório. Isso porque a antimatéria sempre se aniquila e gera energia quando em contato com a matéria. Desde 2010, uma equipe internacional sediada no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), a colaboração Alpha, autora do estudo, cria e aprisiona átomos de anti-hidrogênio em uma armadilha magnética, utilizando um equipamento desacelerador de antiprótons. “A Alpha é uma das colaborações que usa o único equipamento no mundo capaz obter antiprótons a baixas energias”, explica Claudio Lenz Cesar, físico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro do projeto desde seu início, em 2006. A colaboração conseguiu manter milhares de átomos de anti-hidrogênio aprisionados por alguns minutos, tempo suficiente para iluminá-los com feixes de luz laser. O objetivo era verificar se os antiátomos interagiam com a luz da mesma maneira que os átomos. Lenz Cesar conta que a colaboração pretende trabalhar neste ano para melhorar a precisão do resultado, além de verificar outras propriedades do anti-hidrogênio, como a sua massa gravitacional.

Republicar