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FAPESP preservou investimento em pesquisa apesar da desaceleração da economia, segundo Relatório de atividades 2014

034-037_Relatório FAPESP_234-04AA FAPESP investiu R$ 1,153 bilhão em fomento à pesquisa no ano passado, patamar superior ao R$ 1,103 bilhão desembolsado em 2013. O resultado é um dos destaques do Relatório de atividades 2014, lançado na sede da Fundação no dia 22 de julho com uma exposição de reproduções de obras da artista plástica Maria Bonomi, que ilustram a publicação. A receita da Fundação atingiu em 2014 R$ 1,222 bilhão, 5% a mais do que a de 2013, em valores correntes. Desse total, 81,7% vieram de transferências de recursos feitas pelo Tesouro paulista – a FAPESP recebe, conforme previsto pela Constituição estadual, 1% da arrecadação tributária do estado de São Paulo. Outros 12,2% tiveram origem em outras fontes, como convênios com agências de fomento, empresas e instituições de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior. Os demais 6,1% se originaram de receitas patrimoniais da Fundação. Como prevê seu estatuto, a FAPESP mantém um patrimônio para investir no apoio a pesquisa em complemento aos recursos recebidos do Tesouro. “Apesar da desaceleração da atividade econômica no país registrada em 2014, com consequente decréscimo da arrecadação pública paulista, a FAPESP foi capaz de manter seus compromissos e de cumprir com sua missão de apoiar o desenvolvimento da pesquisa em nosso Estado”, afirmou o presidente da FAPESP, Celso Lafer.

A íntegra do relatório de 2014 e as edições de anos anteriores estão disponíveis em www.fapesp.br/publicacoes/. “Facilitar a visibilidade de suas atividades é central para a FAPESP, que deve ser uma das poucas organizações no Brasil que oferece ao contribuinte todos os seus relatórios anuais de atividades desde o ano de sua fundação, 1962, disponíveis pela internet”, disse o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz. Nos últimos anos, as principais modificações no perfil de dispêndios da FAPESP foram a criação das bolsas Estágio de Pesquisa no Exterior (Bepe), programa destinado a alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado e pesquisadores de pós-doutorado de São Paulo para impulsionar a internacionalização da pesquisa que aumentou o dispêndio com bolsas no exterior de menos de 1% do total para quase 7%, e o apoio à infraestrutura de pesquisa por meio da Reserva Técnica para Infraestrutura Institucional de Pesquisa, modalidade de apoio para utilização em reformas de laboratórios, aquisição de equipamentos e organização de cursos para atualização de técnicos, entre outros, que tem estado em torno de 4% do dispêndio total. “Em ambos os casos deseja-se induzir mudanças institucionais no sistema paulista de pesquisa, num caso estimulando a experiência e conexões internacionais e noutro o planejamento das instituições”, afirmou Brito Cruz.

Projetos apresentados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), instituição responsável por pouco mais de um quinto de toda a produção científica brasileira, receberam 47,55% do desembolso da FAPESP em 2014. Em seguida vêm os da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com 14,29%, e os da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com 13,41%. Já projetos desenvolvidos em instituições federais de ensino superior e pesquisa instaladas em São Paulo, tais como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre outros, receberam 12,14% do total. A área da saúde, que concentra um grande número de pesquisadores e gera muitas solicitações de auxílios e de bolsas, foi a que recebeu mais recursos: o equivalente a 28,56% do total (ver quadro). Em seguida, aparecem a biologia (15,8%), as ciências humanas e sociais (10,4%), as engenharias (10,27%) e a agronomia e veterinária (8,2%).

034-037_Relatório FAPESP_234-02Giant magellan telescope
Um destaque de 2014 foi o aumento no investimento na área de astronomia e ciência espacial. O volume de recursos desembolsados no ano passado chegou a R$ 30,9 milhões, ante R$ 7,9 milhões em 2013. A integração da FAPESP ao consórcio internacional responsável pelo Giant Magellan Telescope (GMT), que começará a ser construído neste ano nos Andes chilenos, ajuda a explicar o aumento do investimento. O GMT, que deverá funcionar plenamente em 2021 e se tornará, então, o maior telescópio terrestre em atividade, promete multiplicar a capacidade de pesquisa da comunidade de astronomia de São Paulo. “Investimentos na astronomia, principalmente os de vanguarda, têm natureza estratégica e maturação de longo prazo”, diz o astrofísico João Steiner, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, idealizador e coordenador do projeto que alinhavou a entrada no GMT. “As decisões de hoje terão profundo impacto na próxima geração de cientistas paulistas. É nisso que estamos investindo.” A FAPESP vai investir US$ 40 milhões no projeto, 4% de seu custo total. Isso também garantirá 4% do tempo de operação para a comunidade astrofísica paulista, que reúne um terço dos pesquisadores do país e metade da produção científica nacional da área (ver Pesquisa FAPESP nº 231).

O relatório mostra a natureza do investimento em pesquisa feito pela Fundação utilizando vários recortes. Quando são analisados, por exemplo, os objetivos do fomento, observa-se que 40,82% dos recursos foram destinados a pesquisas que buscam principalmente o avanço do conhecimento, enquanto 51,77% foram para projetos que combinaram o avanço do conhecimento com suas aplicações, e 7,4% tiveram como fim o aprimoramento da infraestrutura de pesquisa disponível no estado (ver quadro). A categoria cujo objetivo é o de avanço do conhecimento compreende projetos destinados à formação de recursos humanos e ao estímulo da pesquisa acadêmica, o que inclui parte significativa das bolsas, dos auxílios regulares e dos projetos temáticos, além de programas como o Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes e o São Paulo Excellence Chairs (SPEC), voltado para estabelecer colaborações entre instituições do estado de São Paulo e pesquisadores de alto nível radicados no exterior. Já o grupo das pesquisas com vistas a aplicações contempla iniciativas que, embora também busquem fazer o conhecimento avançar, tem um interesse econômico e social notável. Inclui, por exemplo, os auxílios e bolsas nas áreas de engenharia, saúde, agronomia e veterinária, além de programas como o Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) e o Pesquisa em Políticas Públicas. A terceira vertente, de apoio à infraestrutura, busca, entre outros exemplos, recuperar e modernizar laboratórios de universidades e instituições de pesquisa ou atualizar acervos, que resultam indiretamente em avanços do conhecimento.

Uma outra forma de visualizar o investimento é distingui-lo segundo as linhas de fomento, agrupadas em três categorias. A principal delas, com 78,61% dos recursos, é a dos programas regulares, aqueles que atendem a demandas espontâneas de pesquisadores. A categoria inclui as diversas modalidades de bolsas, com investimento de R$ 482,49 milhões, ou 41,84% do total, e os auxílios regulares a projetos de pesquisa, com R$ 423,96 milhões, ou 36,77% do total. Em 2014, foram pagas pela Fundação, em média, 11.197,4 bolsas por mês, divididas entre doutorado direto (4.068), iniciação científica (2.430), pós-doutorado (1.937), mestrado (1.910), Capacitação Técnica (697), Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes (79,5), Pesquisa Inovativa em Pequena Empresa (46,5), Ensino Público (20,5) e Jornalismo Científico (7).

034-037_Relatório FAPESP_234-03Programas especiais
Também foram contratados, em 2014, 3.949 auxílios regulares. O número é ligeiramente superior ao de 2013 (3.844), mas aquém do de 2012 (4.292). Dividem-se em auxílio regular à pesquisa (1.544), participação em reunião no exterior (963), organização de reunião (560), publicação (346), pesquisador visitante do exterior (241), participação em reunião no Brasil (200), projeto temático (76) e pesquisador visitante do Brasil (19).

Uma segunda categoria é a dos programas especiais, com 11,19% do total, ou R$ 129,06 milhões em 2014. Eles buscam induzir a pesquisa em determinadas áreas do conhecimento e a superar carências do sistema de ciência e tecnologia paulista. Incluem vários programas, entre os quais o de Apoio à Infraestrutura e o de Pesquisa em eScience. A terceira é a dos programas de pesquisa para inovação tecnológica, como o Biota, que estuda a biodiversidade, o de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), o de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid), entre outros.

O relatório também apresenta dados que mostram o funcionamento do sistema que avalia o mérito das solicitações de bolsas e de auxílios, baseado na análise feita por pares. Cada pedido é examinado por um ou mais pesquisadores, sem vínculo formal com a Fundação, ligados à área do conhecimento do projeto em avaliação. Esses assessores emitem pareceres sobre a qualidade dos projetos que servem como subsídios para as decisões tomadas pela Fundação. Em 2014, a FAPESP contou com o apoio de 7.566 assessores, que emitiram 22.604 pareceres. A maioria (7.460 ou 98,6% do total) emitiu de um a quatro pareceres, enquanto 25 analisaram cinco ou mais projetos. Os assessores atuam em sua maioria no estado de São Paulo (19.524), mas também há a contribuição de pesquisadores do Rio de Janeiro (538 assessores), Minas Gerais (376) e Rio Grande do Sul (262).

034-037_Relatório FAPESP_234-04Como resultado do esforço de internacionalização que a FAPESP realiza nos últimos anos, vem aumentando a porcentagem de bolsas de pós-doutorado no Brasil concedidas a pesquisadores de outros países. Em 2014, pesquisadores do exterior responderam por 17% das concessões, com maior incidência em ciências exatas, da Terra, biológicas e humanas. “Este número é um dado extremamente positivo, pois a presença de pesquisadores de outras nacionalidades em São Paulo provoca necessariamente a produção de artigos e pesquisas em cooperação internacional, o que eleva a visibilidade e o impacto da ciência paulista”, afirmou Celso Lafer. Em 2014, foram contratadas 984 novas bolsas de estágio de pesquisa no exterior, com as quais bolsistas de graduação e pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado da FAPESP estagiam em centros de pesquisa de outros países. Os cinco destinos mais procurados foram os Estados Unidos, França, Inglaterra, Espanha e Canadá.

Ainda no campo da internacionalização, 38 novos acordos de cooperação foram assinados em 2014 com agências de fomento e instituições de ensino e pesquisa estrangeiras. Outros 87 já estavam vigentes, firmados com 78 instituições de 18 países. A FAPESP manteve em 2014 sua série de simpósios FAPESP Week, promovidos desde 2011 com o objetivo de aumentar a projeção da ciência brasileira no exterior e estimular a cooperação com grupos estrangeiros. Pela primeira vez, a China e a Alemanha sediaram o evento, que também foi promovido nos campi de Berkeley e de Davis da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Em Washington, um seminário sobre pesquisa na Amazônia foi organizado pela FAPESP em cooperação com o Departamento de Energia dos Estados Unidos.

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