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Nobel

Autor principal

Físico radicado no Brasil foi co-autor de experimentos que renderam Nobel a francês

O físico Mario Norberto Baibich, argentino radicado no Brasil e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi o autor principal do artigo pioneiro, publicado em 1988 na revista Physical Review Letters, cujas descobertas e desdobramentos renderam o Nobel de Física ao francês Albert Fert. Trabalhando no laboratório de Fert na França, na Universidade Paris-Sul, Baibich realizou uma experiência que constatou a existência de um fenômeno chamado magnetorresistência gigante, que abriria caminho para a miniaturização de discos rígidos e a popularização dos microcomputadores. O alemão Peter Grünberg, que dividiu o Nobel com Fert, havia proposto o fenômeno em 1986.

A idéia de medir a magnetorresistência em amostras de cromo e ferro foi feita em conjunto por Baibich e Fert, que também assinou o artigo pioneiro. “No laboratório estavam fazendo testes com multicamadas de materiais magnéticos e não-magnéticos e me interessei, estimulado por Fert, em medir a magnetorresistência dessas camadas,”  lembra Baibich. Ele identificou o potencial de multicamadas magnéticas ao utilizar 40 minúsculas placas empilhadas de ferro, um material magnético, e de cromo, não-magnético. Percebeu então que o material escolhido e a distribuição em paralelo e alternada das camadas, submetidas a um campo magnético, reduziam em até 100% a resistência às correntes elétricas – a redução conseguida até então não chegava a 5%.

“Mostrei os resultados ao Fert e ele, em uma noite, teve a idéia de como explicar aquilo. Ele desenvolveu o modelo e fez as perguntas certas,” explica o físico da UFRGS, que não se sente injustiçado por não dividir o Nobel com o francês e o alemão. “O prêmio não é só pela descoberta, é por tudo que se fez em volta para levar a descoberta adiante. Eles mereceram mais do que eu, pois continuaram nessa linha de pesquisa e empurraram a coisa mais adiante.” Quando voltou ao Brasil, Baibich conseguiu prosseguir nas pesquisas – até hoje ele investiga a magnetorresistência gigante – mas não na velocidade que almejava. “Não havia equipamentos para fazer os filmes nanométricos e as pessoas acharam que eu estava querendo coisas muito dispendiosas. Meus pedidos de auxílio sempre encontraram muitas reticências. As coisas ficaram mais difíceis do que estavam sendo na França.”

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