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História

Paixão pela ciência

A relevância do arquivo de Carlos Chagas Filho para os estudos da história da ciência no século 20 é o mote do artigo “Ciência, política e paixão: o arquivo de Carlos Chagas Filho”, de Ana Luce Girão Soares de Lima, Francisco dos Santos Lourenço e Ricardo Augusto dos Santos, da Casa de Oswaldo Cruz (COC), e Cecília Chagas de Mesquita e Leonardo Arruda Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro. O estudo tem como base documentos referentes às instituições em que Chagas Filho atuou, tais como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, além daquelas em que ele foi o criador, como o Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A intenção desse trabalho é resgatar facetas da trajetória do cientista dentro dos processos de formulação de políticas públicas de desenvolvimento e valorização da prática científica no Brasil e no exterior. “Vivemos um período em que, com a valorização da história cultural, os pesquisadores debruçam-se cada vez mais sobre as biografias, entendidas não apenas como um gênero literário, mas também como aquelas que nos são descortinadas pelos arquivos, esses nossos velhos conhecidos”, afirmam os pesquisadores. O estudo defende que um arquivo pessoal está longe de ser uma biografia, mesmo porque lhe falta a retórica, inerente ao trabalho do historiador, ou o estilo literário do escritor. “Entretanto, não pode ser tratada a um mero vestígio à espera de quem lhe dê sentido, pois é rico portador de uma infinidade de registros, a verdadeira dimensão material da memória”. Chagas Filho nasceu no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 1910. Médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, teve como legado uma fortíssima herança científica, carregada até mesmo no nome. Dentre os grandes blocos temáticos presentes no arquivo, destacam-se: a fundação do Instituto de Biofísica em 1945, matriz para a elaboração de uma política científica no Brasil, e as pesquisas com o peixe-elétrico ou poraquê, Electrophorus electricus, e o curare, substância com ação farmacológica comprovada, extraída de várias espécies de vegetais, ambos obtidos da região Amazônica.

História, Ciências, Saúde-Manguinhos vol.12 – Nº 1 – Rio de Janeiro – jan./abr. 2005

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