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SciELO

Biblioteca de Revistas Científicas disponível na internet

As publicações Revista Brasileira de Epidemiologia Engenharia Agrícola foram recentemente incluídos na coleção SciELO Brasil. As duas têm por finalidade publicar artigos originais e inéditos que contribuam para o conhecimento e desenvolvimento das áreas afins.

Química
Uva equilibrada

A uva Isabel da Serra Gaúcha geralmente não alcança teor de açúcar suficiente para produzir vinho equilibrado e, em alguns casos, não consegue atingir a concentração mínima de álcool para vinho de mesa estabelecida pela legislação brasileira. Com base nesses dados, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Uva e Vinho) resolveram estudar produtos alternativos utilizados para a correção da composição química do vinho Isabel. “Chaptalização é a prática que consiste na correção da deficiência de açúcar da uva com sacarose”, explicam os autores do estudo, Luiz Rizzon e Alberto Miele. “Além de favorecer o equilíbrio do vinho através da elevação do grau alcoólico, o método também contribui na extração dos compostos fenólicos e aromáticos durante a maceração da uva.” O experimento, cujos resultados podem ser encontrados no artigo “Correção do mosto da uva Isabel com diferentes produtos na Serra Gaúcha”, incluiu tratamentos com sacarose, açúcar mascavo, mosto concentrado, álcool vínico e glicose de milho. As amostras de uva, provenientes dos municípios de Flores da Cunha e Farroupilha (RS), foram avaliadas em microvinificações por meio das análises clássicas, efetuadas por métodos físico-químicos, e dos elementos minerais por absorção atômica. A sacarose foi o produto mais adequado para a chaptalização do vinho pois não incorporou componentes estranhos, não alterou a relação álcool em extrato seco reduzido e apresentou elevado rendimento alcoólico. “O álcool vínico pode ser utilizado desde que seja um produto genuíno de procedência garantida, preferencialmente obtido de vinho branco”, alertam os pesquisadores. Segundo o estudo, o mosto concentrado, o açúcar mascavo e a glicose de milho não são recomendados para a chaptalização do vinho Isabel, pois interferem na composição química e apresentam baixo rendimento alcoólico. Em nenhum caso, constatou-se rendimento integral do álcool, provavelmente em conseqüência de perdas na transformação e sensibilidade analítica.

Ciência Rural VOL.35 – Nº2 – Santa Maria – Mar./Abr. 2005

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Zootecnia
Pasto eficiente

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) avaliaram com sucesso o emprego do pastejo rotacionado e alternado de ovinos e bovinos adultos para auxiliar no controle da verminose em ovelhas. O estudo foi realizado em uma área experimental composta por três módulos de 1,67 hectares. Cada uma dessas áreas foram subdivididos em oito piquetes. Vinte ovelhas Ile de France, com aproximadamente 16 meses de idade, foram colocadas no módulo 1 e quatro bovinos adultos no módulo 2. Os animais permaneceram em cada piquete do módulo por cinco dias, totalizando 40 dias de permanência em cada módulo. Ao final desse período, as ovelhas foram transferidas para o módulo onde estavam os bovinos e estes para o módulo onde estavam os ovinos. Esse esquema foi mantido até o final do experimento. Um grupo-controle de 20 ovelhas permaneceu em um terceiro módulo, sem compartilhar a pastagem. As ovelhas submetidas ao manejo com bovinos apresentaram o menor grau de infecção por nematódeos gastrintestinais e os maiores valores de volume globular. Segundo o artigo “Efeito do pastejo rotacionado e alternado com bovinos adultos no controle da verminose em ovelhas”, o pastejo rotacionado de ovinos, sem a utilização de bovinos, não foi eficiente no controle da verminose das ovelhas. “Já a utilização do pastejo rotacionado e alternado de ovinos e bovinos adultos exerceu efeito benéfico significativo no controle da verminose”, escreveram os pesquisadores. Os pesquisadores ressaltam a utilização da metodologia citando dois exemplos de sucesso. “Resultados satisfatórios de descontaminação da pastagem de ovinos foram obtidos na Austrália após o pastejo contínuo de bovinos por períodos mais longos, além de que também foram observados resultados positivos no Rio Grande do Sul, após a permanência de bovinos em piquetes por 90 dias”, exemplificam.

Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia VOL.56 – Nº6 – Belo Horizonte – dez. 2004

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Ética
Quem é o autor?

Discutir os aspectos relacionados à autoria em publicações científicas, responsabilidades inerentes, práticas não éticas e critérios para sua definição. Estes são alguns objetivos do artigo “Critérios de autoria em trabalhos científicos: um assunto polêmico e delicado”. O estudo reflete sobre o papel dos editores de revistas científicas na coibição de desvios de autoria, enfatizando a importância do assunto e divulgando critérios éticos para sua determinação. “O principal benefício obtido com a publicação dos resultados de uma pesquisa é o progresso da ciência”, diz o estudo. “As vantagens para o autor passam pelo reconhecimento de seu esforço intelectual, garantia de continuidade de seus projetos, prestígio e obtenção de posições acadêmicas hierarquicamente superiores.” O artigo descreve que a principal explicação para a inflação no número de autores é a inclusão de co-autores de forma injustificada e desonesta. Por conta disso, o texto mostra um levantamento dos principais padrões de autoria irregulares, como a co-autoria “convidada”, “pressionada” e “fantasma”. A co-autoria “convidada”, por exemplo, ocorre quando pessoas têm seus nomes incluídos como autores em um trabalho do qual não participaram. “As razões para esta prática são as mais variadas, como agradar a pessoas hierarquicamente superiores, aumentar as chances de publicação do trabalho com a inclusão de nomes de maior prestígio ou, ainda, troca de favores”, diz o estudo. O artigo mostra que esta prática, aparentemente inofensiva, tem implicações importantes pois as pessoas são prejudicadas em disputas por promoções acadêmicas e na concessão de financiamentos. “Além disso, fere um dos princípios básicos da ciência que é a transparência, colocando em jogo toda a credibilidade da pesquisa.” Os autores concluem que existem várias irregularidades no estabelecimento de autoria em artigos científicos. “Por isso é muito importante a participação dos editores de revistas científicas, das sociedades médicas, das universidades e de outras instituições de ensino e pesquisa na divulgação dos critérios e na conscientização da seriedade do assunto”, argumenta o artigo.

Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery VOL.19 – Nº4 – São José do Rio Preto NOV./DEZ. 2004

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Sociologia
Transformações na comunicação

A pesquisadora Isleide Fontenele, doutora em Sociologia pela USP, com pós-doutorado em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, analisou algumas transformações pelas quais vêm passando as formas mercadológicas de comunicação. O artigo de sua autoria, “Os caçadores do cool”, procurou estudar o uso, pelo mercado, de uma das formas de pesquisa de “tendências culturais”, as chamadas pesquisas coolhunting, com origem nos anos 1990. “Parte-se desse contexto com o objetivo mais amplo de entender as transformações no espaço comunicacional, presumindo que este configura nitidamente as mudanças socioculturais em curso e as relações de poder do nosso tempo”, diz Isleide. Para ela, atualmente a comunicação mercadológica está numa fase de grande transformação, e a mídia, conseqüentemente, acaba passando pelo mesmo processo pois é o mercado publicitário que assegura grande parte dos recursos disponíveis. “Por transformações nas atuais formas de comunicação mercadológica entende-se a evidente queda nos investimentos em anúncios comerciais, o que indica um cenário de mudanças nas agências de propaganda e veículos de mídia”, acredita a pesquisadora. Segundo o estudo, as chamadas “pesquisas de mercado de tendências culturais”, cujas origens remontam aos anos 1970, mas que ganharam um novo formato e um novo status a partir dos anos 1990, se destacam como ferramentas essenciais para as novas estratégias comunicacionais. “As informações captadas por essas pesquisas de tendências têm forte influência no direcionamento estratégico das formas de comunicação mercadológica, pois tais pesquisas visam captar as transformações nas mentalidades, nos estilos de vida e nas formas de manifestação do desejo do consumidor”, sustenta o artigo. Nesse sentido, o estudo procura analisar o que mudou na “cultura de consumo” para que essas pesquisas tenham se tornado tão importantes para as grandes empresas multinacionais, porque e como elas indicam mudanças na forma de se comunicar um produto, e, mais ainda, que alterações elas provocam no espaço comunicacional como um todo.

Lua Nova: Revista de Cultura e Política N.63 – São Paulo – 2004

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