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SciELO

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Botânica
Flora nativa

Como era a vegetação nativa do Brasil quando as caravelas de Pedro Álvares Cabral desembarcaram em 1500? Nesta viagem pela botânica do descobrimento, Tarciso S. Filgueiras e Ariane Luna Peixoto debruçaram-se sobre a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manoel, considerada a “certidão de nascimento do Brasil”, para uma leitura da percepção do mundo vegetal pela frota cabralina. O resultado está no artigo Flora e Vegetação do Brasil na Carta de Caminha. Os pesquisadores procuraram nas palavras de Caminha referências a morfologia e taxonomia vegetal para buscar, em seguida, os possíveis nomes botânicos aos termos empregados pelo escrivão português. A carta de Caminha apresenta 118 menções a plantas ou associações de plantas. Descontadas as repetições, são mencionadas 45 termos botânicos, 31 diretos (ex.: ervas, lenha, inhame) e 14 indiretos (ex.: arco, rede, cruz). Das referências diretas, cinco (arroz, castanheiro, figos, legumes, trigo) descrevem plantas conhecidas dos europeus e as demais dizem respeito à flora nativa. Segundo a carta histórica, os primeiros recursos vegetais explorados pelos portugueses foram “lenha” e “palmitos”. O texto de Caminha não confirma a presença de uma cruz durante a celebração da primeira missa no Brasil, como retratado na célebre pintura de Victor Meirelles. O texto afirma que a cruz foi colocada por ocasião da segunda missa.

Acta Botânica Brasílica
 – vol. 16 – nº 3 – Jul./Set. 2002

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-33062002000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Saúde
Drogas em família

Notícias de pais que matam os filhos viciados em drogas, ou jovens que atacam avós em busca de dinheiro, rechearam os jornais nos últimos meses. Na análise das relações entre a família e jovens que fazem uso abusivo de drogas, Maria Cecília de Souza Minayo e Miriam Schenker, no artigo A Implicação da Família no Uso Abusivo de Drogas: Uma Revisão Crítica, destacam a importância de engajar a família no tratamento do adicto e alguns estudos ampliam o foco para engajar contextos sociais múltiplos (família, amigos, escola, comunidade e sistema legal) no tratamento do adolescente. “Os pais, ou figuras substitutas, têm dificuldade em passar normas e limites para seus filhos. Há pouca habilidade para criá-los e educá-los, advindo daí uma má qualidade de vínculos familiares”, observam. “As crianças e os adolescentes aceitam a autoridade dos pais, o estabelecimento de regras claras e coerentes e a imposição de limites, quando há uma relação de confiança e afeto entre eles. Famílias disfuncionais geralmente têm pais ainda imaturos na forma de relacionar-se com os filhos. Inúmeras vezes, os pais são mais adolescentes que os filhos, pois se apresentam como e não se posicionam como educadores, figuras de autoridade, de confiança e de respeito para os adolescentes.”

Ciência e Saúde Coletiva – vol. 8 – nº 1 – 2003

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232003000100022&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

História
A evolução da anestesia

Por que se levou tanto tempo para o homem controlar a dor? Como era o mundo quando se deu a descoberta da anestesia? O artigo O Alvorecer da Anestesia Inalatória: uma Perspectiva Histórica, de Cláudia Regina Fernandes e Ricardo Jakson de Freitas Maia, da Universidade Federal do Ceará, aborda o ato cirúrgico, a dor e a anestesia desde a cultura helênica até a primeira anestesia oficialmente reconhecida, feita por William T. G. Morton em 1846. Resgata as experiências cirúrgicas na Idade Média (500-1400), na qual o controle da dor por meio de ervas ou outros compostos químicos podia ser interpretado como magia ou bruxaria pela Santa Inquisição. A doença, a dor e o sofrimento eram vistos como castigos divinos para purificação da alma. Os autores também enfocam os valores, a cultura e o desenvolvimento científico no século 19, correlacionando-os com os eventos que marcaram o advento da anestesia. “Não seria justo atribuir o mérito da descoberta da anestesia a uma única pessoa. As peculiaridades históricas que beneficiaram ou prejudicaram um ou outro pesquisador não podem ser esquecidas”, destacam.

Revista Brasileira de Anestesiologia – vol. 52 – nº 6 – Nov./Dez. 2002

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-70942002000600015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Psicologia 
O valor do dinheiro

O dinheiro tem significados diferentes nas diversas regiões do Brasil. Um trabalho feito por Alice da Silva Moreira, da Universidade Federal do Pará, denominado Dinheiro no Brasil: um Estudo Comparativo do Significado do Dinheiro entre as Regiões Geográficas Brasileiras, detectou influências socioeconômicas e culturais sobre esse significado. O estudo foi feito com 760 pessoas, sendo 60% mulheres, com idades, ocupações e rendas variadas e mais de cinco anos de residência no local. Elas atribuíram uma escala de 1 a 5 para a relação do dinheiro com os componentes Desigualdade, Progresso, Cultura, Poder, Desapego, Conflito, Estabilidade, Sofrimento e Prazer. Os resultados indicaram diferenças significativas em todos os componentes, exceto Prazer e Sofrimento, e padrões diferenciados: maior Estabilidade no Norte, maior Conflito e Desapego no Nordeste, menor Estabilidade e Poder no Distrito Federal, menor Conflito e Poder no Sul, e no Sudeste, maior Poder, Desigualdade, Cultura, Prazer e Sofrimento e menor Desapego. Exame separado da região Sudeste indicou maior diversidade interna do que entre as regiões do país. “Esses resultados permitem concluir que o dinheiro assume dimensão de preocupação eminentemente social em nosso país, contrastando com a tônica das pesquisas conduzidas em outros contextos, que têm focalizado as dimensões de significado do dinheiro relacionadas ao nível individual”, conclui a pesquisadora.

Estudos de Psicologia (Natal) – vol. 7 – nº 2 – Jul./Dez. 2002

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2002000200019&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Fruticultura
Maçãs protegidas

As chuvas de granizo são uma constante ameaça para as macieiras. Estima-se que as perdas anuais por granizo podem chegar a 20% da produção de maçã no Sul do Brasil. Se as frutas forem atingidas logo após a floração, ficam deformadas. Em frutos maiores, os danos por granizo resultam em lesões que favorecem a entrada de patógenos, impossibilitando, muitas vezes, sua comercialização. Uma das alternativas para evitar os danos com o granizo é o uso de uma tela de náilon que protege as macieiras. Gabriel Berenhauser Leite, José Luiz Petril e Márcia Mondardo analisaram os efeitos do sombreamento provocado pela tela de proteção antigranizo na qualidade das maçãs. Os resultados estão no artigo Efeito da Tela Antigranizo em Algumas Características dos Frutos de Macieira. Os pesquisadores concluíram que a temperatura do ar no ambiente sobre proteção da tela fica 0,5° C a 1,5° C inferior ao ambiente sem proteção, enquanto a umidade do ar aumenta no ambiente protegido. As telas apresentaram 100% de eficiência na proteção dos frutos aos danos por granizo. A cor vermelha é a variável que sofre maior influência (redução) do sombreamento provocado pela tela. Os efeitos do sombreamento sobre a produção variaram de ano para ano, conforme as condições climáticas. Eles concluíram que telas antigranizo, com níveis de sombreamento inferiores a 12%, são aconselháveis para reduzir os efeitos negativos na coloração dos frutos.

Revista Brasileira de Fruticultura – vol. 24 – nº 3 – Dez. 2002

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-29452002000300037&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Radiologia
Detectando a apendicite

Aproximadamente 35% das apendicites agudas têm diagnóstico clínico pré-operatório duvidoso ou incorreto, principalmente quando ocorre em grávidas e crianças. A ultra-sonografia, em virtude do seu baixo custo e facilidade de acesso, tem-se mostrado um método diagnóstico importante. No artigo O Uso da Ultra-Sonografia no Diagnóstico e Evolução da Apendicite Aguda, Arquimedes Artur Zorzetto, Linei Augusta Brolini Dellê Urban, Christian Bark Liu, Olívia Russo Cruz, Maria Luiza Malfi Vitola, Yumi Awamura e Alessandra Bettega Nascimento, da Universidade Federal do Paraná, fazem um relato de 14 casos de ultra-sonografias abdominais realizadas no período de janeiro a julho de 2001, em pacientes que se apresentavam com quadro de abdome agudo. Com imagens colhidas nos exames, os pesquisadores tentam orientar o ultra-sonografista no diagnóstico precoce da apendicite. “Esse diagnóstico precoce é essencial para minimizar a morbidade, que se mantém elevada se ocorrer perfuração”, destacam. Uma análise correta do exame de ultra-som é fundamental para um diagnóstico correto. Apresentações atípicas resultam em diagnósticos confusos e atraso no tratamento.

Radiologia Brasileira – vol. 36 – nº 2 – Mar./Abr. 2003

www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-39842003000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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