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Brasil

Bloqueio à vaca louca

O Ministério da Agricultura criou três grupos de trabalho encarregados de montar uma estratégia para prevenir a entrada do mal da vaca louca no país. A questão ganhou importância depois que surgiu o primeiro caso de animal contaminado nos Estados Unidos – e aumentou o interesse pela carne brasileira no mercado internacional. A moléstia, conhecida como encefalopatia espongiforme bovina, surgiu na Europa, em 1986, devido ao uso de carne, ossos, sangue e vísceras nas rações animais, e já matou 150 pessoas.

Uma das idéias em debate no Brasil é tornar obrigatório um teste de qualidade das rações para o gado. Esse exame foi patenteado em 2002, rastreia a presença de proteína animal através de espectrometria de massa e é mais sensível do que os utilizados na Europa. Foi desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Recursos Genéticos em Biotecnologia) a pedido do governo federal, depois que o Canadá suspendeu, em 2001, a importação de carne brasileira alegando perigo de contaminção da doença (na verdade, era apenas uma retaliação comercial).

Em meio ao contencioso, a União Européia chegou a mandar enviados ao Brasil para averiguar a alimentação do gado. O método da Embrapa foi mostrado e os europeus voltaram satisfeitos. A Embrapa propôs que eles mandassem amostras de suas rações para serem avaliadas aqui. “Nunca mandaram nada”, diz Carlos Bloch Junior, líder da equipe que desenvolveu o teste.

Passada a celeuma, o método caiu no esquecimento. Diz-se que o rebanho brasileiro está imune, porque só se alimenta de ração vegetal, mas não é bem assim. Quando a Embrapa desenvolveu o método, avaliou 185 amostras de ração nacional. Descobriu que 9% delas estavam contaminadas. Na maioria das vezes, tratava-se de problemas de higiene, que foram resolvidos. Em novos testes, a contaminação caiu para 3%. O risco é pequeno. Nos próximos meses, o governo decide se adota ou não o teste.

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