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Brasil

Calendários de pedra

No Brasil também há menires – os blocos de rocha que Obelix adorava carregar e atirar sobre os romanos que queriam conquistar a Gália. Estão em Florianópolis, capital de Santa Catarina: são cerca de 40 colunas, de 2 a 9 metros de altura, apoiados por três pedras menores, espalhadas a leste da ilha, algumas vezes à beira do mar. Os blocos fazem parte de dois observatórios astronômicos – um na planície e no outro no alto dos morros -, que eram usados para acompanhar o movimento do Sol, da Lua e das estrelas. Dois estudiosos dessas obras, Adnir Ramos, pesquisador das Faculdades Integradas da Associação de Ensino de Santa Catarina, e Germano Bruno, da Universidade Federal do Paraná, descobriram que algumas pedras marcam o ponto onde nasce a constelação de Escorpião, que permanece no céu noturno durante o inverno, enquanto outras apontam para a de Órion, assídua nas noites de verão. “Os povos antigos regulavam o cotidiano com essas pedras”, diz Ramos. Os menires indicavam a melhor época de plantar, de pescar ou mesmo de ter filhos, para que os nascimentos coincidissem com os tempos de alimento farto. Mas quem os criou? Talvez os homens de sambaqui, que viveram há 3 mil anos nas proximidades da atual cidade catarinense de Laguna, onde foi encontrado um relógio de sol semelhante, feito de pedra. Ramos, em parceria com a prefeitura, luta para preservar os blocos de rocha, alguns situados em áreas residenciais. “Já acompanhei a destruição de dois deles”, diz ele, “e não consegui convencer os donos das casas da importância desses monumentos.”

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