A China aprovou um implante cerebral fabricado pela Neuracle, de Xangai, que permite que pessoas com paralisia movam as mãos. É a primeira aprovação mundial de uma interface cérebro-computador invasiva para uso comercial. O chip cerebral, do tamanho de uma moeda, contém oito eletrodos e é colocado em um lado da dura-máter do cérebro, acima do córtex sensório-motor primário. Os eletrodos registram a atividade elétrica neuronal quando uma pessoa imagina mover a mão. Os sinais são enviados a um computador, decodificados e usados para controlar uma luva robótica utilizada pela pessoa, movendo sua mão. Um homem conseguiu agarrar e mover objetos com a mão direita enluvada após receber o dispositivo, indicando que poderia realizar tarefas como comer e beber. Depois de usar a interface cérebro-computador por nove meses, conseguiu agarrar objetos com a mão esquerda, que não havia usado a luva. Exames indicaram que suas conexões neurais na medula espinhal haviam se recuperado. Dispositivos semelhantes estão sendo testados em um número limitado de pacientes. Um deles, da Neuralink, permitiu que três pessoas com paralisia controlassem um cursor na tela do computador pensando em mover os dedos. A tecnologia da Neuralink consiste em um implante fixado no crânio que é conectado a fios contendo mais de mil eletrodos, que penetram no córtex motor do paciente (Nature Biotechnology, 17 abril).

Adaptado de Liu D. et al. medRxiv (2024).doi: 10.1101/2024.09.05.24313041Como o implante transforma intenção em movimento. (a) Eletrodos colocados sobre a membrana que recobre o cérebro captam a atividade gerada quando o paciente imagina abrir ou fechar a mão. Os sinais são enviados a um computador, que os interpreta e aciona uma luva pneumática para segurar ou soltar objetos. (b) O implante reúne o dispositivo eletrônico e uma bobina usada para transmitir energia e dados através da pele; a moeda indica seu tamanho. (c) O aparelho fica encaixado no crânio, enquanto os eletrodos repousam sobre a dura-máter, sem penetrar o tecido cerebral. (d) Os pontos mostram a posição dos oito eletrodos: em laranja, sobre uma região ligada ao movimento; em azul, sobre uma região ligada à sensibilidade. O mapa colorido indica as áreas cerebrais identificadas por ressonância magnética funcional durante a tarefa.Adaptado de Liu D. et al. medRxiv (2024).doi: 10.1101/2024.09.05.24313041