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Televisão

Ciência no horário nobre

Série sobre o Genoma-FAPESP veiculada pela TV Cultura de São Paulo obtém ampla repercussão

A TV Cultura de São Paulo exibiu, no mês de agosto, em seu horário nobre, a série Genoma: Em Busca dos Sonhos da Ciência, sobre o Programa Genoma-FAPESP, produzida, dirigida e apresentada pela jornalista Mônica Teixeira, e cuja realização teve o apoio da FAPESP, do Fundo Paulista de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e da empresa Amercham Pharmacia Biotech. Durante cinco noites, de 16 a 20, os telespectadores da emissora paulista e das emissoras educativas de todo o Brasil, em rede, conheceram as origens do Programa Genoma-FAPESP e as pesquisas que se desenvolvem no seu âmbito, descobriram o mundo da genética e da biologia molecular, ouviram cientistas brasileiros e norte-americanos sobre os rumos dessas ciências e seus impactos na sociedade de hoje e do futuro.

Exibir um programa de informação científica no horário nobre da televisão brasileira foi um ato inovador e arriscado da TV Cultura, mas perfeitamente apoiado pelos espectadores, a julgar pelo grande número de correspondência recebida tanto pela emissora quanto pela FAPESP e a quantidade de pedidos de reapresentação e de aquisição dos vídeos da série.

“Este é o primeiro (espero que de uma grande lista) contato que mantenho com vocês da TV Cultura. Não poderia deixar de parabenizar a mais inteligente emissora do País pelo trabalho apresentado ontem (16/08) sobre o Projeto Genoma. Apresentado de forma muito clara e interessante, o programa me fez começar a entender um pouco mais sobre esse assunto que sempre me deixou fascinado”, escreveu o telespectador de 24 anos, Carlos Jorge, de Belém, Pará.

De São Paulo, um outro telespectador, Gilberto Tuttura Júnior, escreveu: “Gostei muito do primeiro programa Genoma que foi exibido, como foi dito no ‘Opinião Nacional’, num horário inovador. Foi muito bom ter uma opção inteligente durante o horário em que só se consegue ver novela ou tragédias.”

Sensibilidade
Muitas das correspondências traduziam a emoção e o orgulho do espectador ao tomar conhecimento da qualidade e da importância da produção científica brasileira. “O Projeto Genoma faz com que sintamos orgulho de sermos brasileiros, coisa rara ultimamente”, escreveu Rejane Gontow, de Campinas, SP. E Waldir de Souza, de São Paulo, comentou: “Ao ver que brasileiros dedicam-se de corpo e alma para alcançar objetivos tão ilustres foi com o sentimento de brasilidade enaltecido que atentamente assisti a todos os capítulos da série.”

Com um tema tão complexo, muitas vezes foi difícil absorver todas as informações da série. Isso, entretanto, não desanimou o público: “Foi muito prazeroso e instigante assistir a série Genoma. Embora em alguns momentos o assunto ficasse mais complexo, mesmo sem uma compreensão mais ampla percebia que ali estava sendo dito algo importante, talvez não totalmente compreendido, mas importante”, foi a mensagem de uma telespectadora.

Os cientistas, normalmente tão afastados do grande público, tiveram seus nomes, rostos e realizações revelados. “Parabéns pela bela reportagem sobre Genoma. Vocês mostraram os verdadeiros artistas deste país. Mesmo atrás das cortinas eles mostram que o show is still going on “, escreveu Alexander Razook, de Sertãozinho, SP.

E Ricardo de Souza Costa, eletricista de distribuição da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em Bebedouro, SP, escreveu emocionado para a FAPESP: “Quero parabenizá-los pelo Projeto Genoma; nem imaginava que pessoas tão dedicadas e inteligentes de nosso país estavam pesquisando um assunto tão próximo e ao mesmo tempo tão distante de todos nós. Sucesso! Muito sucesso! Que vocês possam alcançar todos os seus objetivos. Vocês ganharam um aliado, um admirador e um torcedor. Mesmo que muito pequeno, e sem muita influência, estou muito contente com as pesquisas que estão fazendo.”

No e-mail enviado, Ricardo recordou algo acontecido há muitos anos com ele, quando trabalhava como recepcionista no Hotel Pioneiro, em sua cidade. Numa ocasião, uma pesquisadora lhe entregou umas folhas de pés de laranja, e pediu para guardar na câmara fria do hotel. “Aquilo me marcou, pois me disseram que era uma pesquisadora muito conceituada e muito importante. Quando ela apareceu no documentário da TV Cultura eu me lembrei do acontecido e fiquei contente. Mesmo que por um simples e pequeníssimo gesto, eu pude contribuir com esta tão importante pesquisa.”

A pesquisadora a que Ricardo se refere é a agrônoma Victória Rossetti, a primeira mulher formada em Agronomia em São Paulo, e uma das maiores autoridades em doenças de citros. Quanto à contribuição à pesquisa a que o telespectador se refere, ela é dada anonimamente por cada cidadão, pois é ele quem financia a pesquisa científica. Os cientistas agradecem e retribuem com os seus trabalhos.

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