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DIVULGAÇÃO

Ciência para todos

FAPESP lança programa de incentivo ao jornalismo científico

O jornalista deve ser preciso. E ainda mais quando o seu assunto é a ciência. Foi pensando nisso que a FAPESP lançou, em 21 de outubro, o Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico. Trata-se de uma iniciativa que reúne universidades, empresas de comunicação ou mídia acadêmica e a própria FAPESP com o objetivo de estimular a formação de profissionais especializados no campo do jornalismo científico. “O interesse do público por assuntos científicos e tecnológicos é crescente. É necessário, portanto, que a divulgação do conhecimento seja feita com qualidade”, afirmou Carlos Henrique de Brito Cruz, presidente da FAPESP, durante o evento de lançamento do programa.

“O jornalismo científico não é apenas uma técnica. Mas uma arte, que requer múltiplas competências”, acrescentou José Fernando Perez, diretor científico da Fundação. A cerimônia teve a participação de representantes das universidades paulistas, jornalistas da grande imprensa e de veículos especializados em ciência, mais a diretoria da Fundação. Durante o evento, houve ainda o lançamento do livro Do Laboratório à Sociedade.

A iniciativa do programa vem ao encontro dos três pilares que norteiam a atuação da FAPESP: geração, aplicação e disseminação do conhecimento, justificou Perez, acrescentando que, embora o Brasil tenha experimentado um grande desenvolvimento científico nas últimas décadas, nem sempre as conquistas nesse campo chegam ao grande público. Suprir essa carência é uma necessidade vital, pois o apoio da população é imprescindível para a continuidade e a ampliação da pesquisa científica, fato comum entre os países altamente industrializados.

Esse apoio ganha ainda mais importância por ser justamente a sociedade, por meio do pagamento de impostos, que viabiliza o desenvolvimento da ciência. “É o contribuinte que, em última instância, financia a pesquisa. Por isso o público deve ser muito bem informado”, apontou Brito Cruz.

O Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico oferecerá bolsas remuneradas para estudantes de graduação e profissionais diplomados em qualquer área e que não tenham vínculo empregatício. O valor corresponderá à titulação do candidato, que deverá se submeter a um processo seletivo. Os bolsistas participarão obrigatoriamente de cursos de introdução ao jornalismo científico, os quais serão ministrados em instituições acadêmicas, e desenvolverão, sob a supervisão de um pesquisador-orientador, propostas de pesquisa. Elas visam à produção de documentos jornalísticos de divulgação. “Nossa idéia é conciliar a oferta com a procura. Não nos interessa produzir textos que fiquem engavetados”, disse José Fernando Perez.

O novo programa homenageia o cientista e jornalista José Reis, um dos pioneiros da divulgação científica no Brasil. Carioca, nascido em 1907, José Reis cursou no Rio de Janeiro a Faculdade Nacional de Medicina. Em São Paulo, para onde se mudou em 1930, trabalhou no Instituto Biológico e lecionou nas universidades de São Paulo e Mackenzie. Conciliando seu trabalho em microbiologia com a divulgação científica, dirigiu a revista Ciência e Cultura e foi redator científico do jornal Folha de São Paulo, no qual até hoje mantém uma coluna semanal. Escreveu também livros infanto-juvenis em que procurou romancear a ciência.

Numa entrevista à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), José Reis define a divulgação científica: “É a veiculação em termos simples da ciência como processo, dos princípios nela estabelecidos, das metodologias que emprega. Durante muito tempo, a divulgação se limitou a contar ao público os encantos e os aspectos interessantes e revolucionários da ciência. Aos poucos, passou a refletir também a intensidade dos problemas sociais implícitos nessa atividade”.

Repercussão positiva
O lançamento do programa recebeu os aplausos da comunidade científica. “É uma iniciativa da maior importância, pois a sociedade precisa tomar conhecimento da ciência que é produzida em nossos laboratórios”, afirmou Tupã Gomes Correa, diretor da Escola de Comunicações e Artes da USP. O professor ainda destacou outro aspecto positivo: “As novas gerações de jornalistas deverão ser as mais beneficiadas pelo programa”.A repercussão também foi positiva entre os jornalistas que participaram do evento. “O jornalista não precisa ser cientista. Mas deve saber como trabalhar com a ciência”, apontou Almyr Gajardoni, 1º secretário da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC).

Já o jornalista Alberto Dines apontou as vantagens que o programa oferecerá ao leitor. “É comum a grande imprensa tratar a ciência como um ‘pátio dos milagres’, divulgando informações fragmentadas e sem densidade. Por isso a importância de programas que visem a uma melhor formação do jornalista que lida com a ciência”, disse Alberto Dines, que é editor do Observatório da Imprensa e um dos fundadores do Laboratório de Jornalismo da Unicamp (Labjor).

Reportagens científicas

O livro Do Laboratório à Sociedade reúne reportagens sobre os resultados de 20 projetos temáticos financiados pela FAPESP. Os textos foram publicados originalmente entre novembro de 1997 e maio de 1999 pelo jornal Notícias FAPESP. O lançamento da obra dá continuidade à série “Resultados de Projetos Temáticos em São Paulo”, cujo primeiro volume foi publicado há um ano:Vigor e Inovação na Pesquisa Brasileira .

Do Laboratório à Sociedade torna visível ao grande público a variedade de assuntos investigados pelos projetos temáticos que têm o apoio da Fundação. Neste volume, estão reunidos projetos nas áreas de agricultura e veterinária, física, ciência espacial, geociências, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia de materiais, engenharia biomédica, saúde pública, medicina, meio ambiente, teatro, antropologia e educação.

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