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Tecnociência

Cobertura de diamante

Dentro dos cilindros, o vácuo é quase total. A temperatura, próxima a 800 graus Celsius. Nessas condições, um dos laboratórios da Universidade de São Francisco (USF), em Atibaia, produziu uma das maiores áreas recobertas de diamante sintético no Brasil, com 80 centímetros quadrados. A película que cobre a placa arredondada (10,2 centímetros de diâmetro e 0,25 milímetro de espessura) tem uma espessura de 80 a 100 microns (um micra é um décimo do milímetro).

João Roberto Moro, responsável pelo laboratório de Diamantes e professor da Faculdade de Engenharia da USF, conta que essas placas poder ser úteis na indústria aeroespacial – por exemplo, em juntas dos braços de satélite que se abrem no espaço e não podem ter lubrificantes, que se desfazem sob gravidade muito baixa. O trabalho desenvolveu-se em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto de Estudos Avançados do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ambos de São José dos Campos.

É também o ponto alto de um projeto de pesquisa que focava inicialmente o desenvolvimento de tubos de 0,9 mm, com aplicações práticas mais imediatas (em brocas de dentista, por exemplo). Formado pela Unicamp, Moro conta que agora sua equipe consegue também fazer camadas com até 1 milímetro de diamante sintético, de propriedades de alto interesse: é o material mais duro que qualquer outro, quimicamente inerte, isolante elétrico e de baixo coeficiente de atrito.

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