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Sincronia

Corações a um só ritmo

DANIEL BUENOQuando os membros de um coral entoam juntos uma melodia, seus corações também se encontram sincronizados: aceleram e desaceleram simultaneamente, de acordo com a estrutura e o padrão da música. Afinal, cantar em grupo, uma atividade que costuma causar uma sensação de bem-estar, pode reduzir o ritmo normal da respiração e assim alterar os batimentos cardíacos. Essas ideias são defendidas em estudo coordenado por Björn Vickhoff, da Academia Sahlgrenska da Universidade de Gotemburgo (Suécia), que registrou os batimentos cardíacos, a respiração, a condutividade elétrica da pele e a temperatura dos dedos de 11 alunos do ensino médio com 18 anos de idade que participam de um coral (Frontiers in Psychology, julho de 2013). Os jovens foram monitorados enquanto executavam três músicas distintas: ao cantarolar em um único tom e respirar quando necessário; ao executar um hino que permitia respirar livremente, de forma não guiada; e ao entoar um lento mantra e respirar apenas entre as frases musicais. “Músicas com frases longas atingem o mesmo efeito que exercícios respiratórios como a ioga”, diz Vickhoff, que estuda possíveis propriedades terapêuticas do ato de cantar. “Em outras palavras, por meio da música podemos exercitar certo controle sobre estados mentais. Já sabíamos que o canto em coral sincronizava os movimentos musculares e as atividades neurais dos cantores. Agora também sabemos que isso se aplica ao coração.” Apesar do entusiasmo dos autores, o pequeno número de alunos que participaram do experimento recomenda cautela na interpretação dos efeitos benéficos do ato de cantar em grupo.

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