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Boas práticas

Crianças imaginárias

Periódico de pediatria reconhece que 138 relatos de casos publicados como reais eram fictícios

A revista Paediatrics & Child Health, da Sociedade Canadense de Pediatria, publicou correções em 138 artigos divulgados nos últimos 25 anos, fazendo uma revelação desconcertante: os casos relatados nos papers não eram exemplos reais. O periódico publicava estudos com discussões de casos concretos desde 2000 a fim de orientar a prática clínica dos pediatras do país. Os artigos partiam de um evento supostamente ocorrido com um paciente e apresentavam “pontos de aprendizado”, que incluíam estatísticas, observações clínicas e outros dados. Embora os resultados fossem revisados por outros especialistas, não havia menção ao fato de que os casos descritos eram inventados.

O caráter ficcional dos relatos veio à tona em janeiro, quando a revista norte-americana The New Yorker publicou uma reportagem sobre uma controvérsia científica: a possibilidade de gestantes que tomaram paracetamol com o opióide codeína para reduzir a dor pós-parto transmitirem quantidades do analgésico potencialmente letais para seus bebês via leite materno. Uma das raras evidências desse tipo de desfecho era um estudo de caso do Paediatrics & Child Health e um dos autores do trabalho, confrontado pela New Yorker, admitiu que o exemplo era imaginário.

Joan Robinson, editora-chefe da revista, afirmou ao site Retraction Watch que a proposta de publicar artigos com casos fictícios visava não expor pacientes de verdade. “Com exceção do caso que levou ao recente artigo da New Yorker, todos ou quase todos eram de condições muito conhecidas, como sífilis congênita, síndrome alcoólica fetal, trauma grave causado por quadriciclos, infecção por hepatite C”, informou ela.

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