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Estratégias

Darwin no corredor polonês

Cinqüenta cientistas da Polônia assinaram uma carta aberta em protesto contra a campanha antievolucionismo lançada pela Liga das Famílias Polonesas (LPR), partido católico ultraconservador que integra a coalizão que governa o país. A gota d’água foi uma entrevista que o vice-ministro da Educação, Mirosaw Orzechowski, indicado pela LPR, concedeu ao jornal Gazeta Wyborcza no dia 14 de outubro. Entre outras frases de efeito, afirmou que “a teoria da evolução é uma mentira, um erro que consagramos como senso comum” e defendeu sua retirada do currículo escolar. A LPR ingressou na coalizão em maio de 2006. Pesquisadores estão apreensivos com o risco de infiltração da campanha criacionista nas escolas. Maciej Ylicz, do Instituto Internacional de Biologia Celular e Molecular, se diz chocado. “Nós não esperávamos que um movimento criacionista surgisse na Polônia”, afirmou à revista Nature. “É uma catástrofe”, acrescenta Bartosz Borczyk, que está concluindo PhD em zoologia na Universidade de Wroclaw. “As pessoas podem ter a impressão de que há alguma controvérsia acerca do evolucionismo entre os cientistas.” Micha Seweryski, ministro da Ciência, criticou a posição da LPR. “A opinião de uma minoria não vai mudar o currículo escolar.” Membros da Academia Polonesa de Ciências publicaram a carta de protesto em vários jornais do país. “O que merece discussão não é a teoria de Darwin, mas como um vice-ministro pode dizer coisas estúpidas como essas”, disse Ylicz, signatário da carta.

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