guia do novo coronavirus
Imprimir PDF Republicar

Biodiversidade

Desafio internacional

Biota-FAPESP entra em nova fase e busca maior inserção no exterior

EDUARDO CESAR

Programa dará ênfase à bioprospecção, aproximando-se de empresasEDUARDO CESAR

Dez anos depois de seu lançamento, o programa Biota-FAPESP inaugura uma nova fase. Dando sequência ao esforço que permitiu a descrição de mais de 500 espécies de plantas e animais espalhados pelos 250 mil quilômetros quadrados do território paulista – produziu 75 projetos de pesquisa, 150 mestrados e 90 doutorados, além de gerar 500 artigos em 170 periódicos  16 livros e dois atlas –, o programa agora se ocupará de desafios, como ampliar a visibilidade internacional de sua produção. Uma das metas é aumentar o número de publicações em revistas de impacto e incentivar o intercâmbio internacional de pesquisadores e professores visitantes e a participação em eventos no exterior. “Embora a pesquisa realizada no âmbito do Biota seja de alta qualidade, ainda não obtivemos um reconhecimento internacional equivalente a essa excelência”, explica Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e novo coordenador do programa, função que já ocupara entre 1999 e 2004.

Joly substitui Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), cuja gestão foi marcada pela disponibilização dos dados sobre a biodiversidade para a elaboração de políticas públicas, a aproximação com iniciativas semelhantes de outros países e a institucionalização do programa – no mês passado, foi assinado um memorando de entendimento entre a FAPESP e a Unicamp, segundo o qual a universidade fornecerá estrutura e pessoal para sediar, desenvolver e administrar os bancos de dados do Biota. “Conseguimos avançar no cumprimento desses desafios, que haviam sido estabelecidos há cinco anos”, diz Ricardo Rodrigues. Desde sua criação, o programa recebeu um investimento médio anual de US$ 2,5 milhões feito pela FAPESP.

Bioprospecção
Os pesquisadores do Biota também irão ampliar o esforço para transformar em produtos os resultados da bioprospecção, por meio de uma aproximação maior da Rede Biota de Bioprospecção e Ensaios (BIOprospecTA) com a área de farmacologia e com as empresas. “Um país com uma biodiversidade tão rica precisa alcançar produtos de alto impacto”, disse Vanderlan da Silva Bolzani, do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual­ Paulista (Unesp) e coordenadora da rede.

Deverá ser ampliada a ênfase em temas como a mitigação dos impactos causados pela agricultura na biodiversidade. “A agricultura é um grande agente modificador do ambiente e essa área envolve conflitos cada vez mais relevantes”, diz Luciano Verdade, professor da Esalq-USP e membro da coordenação do Biota. “Mitigar estes impactos significa agregar valor conservacionista à agricultura”, afirma. Também participam da coordenação Célio Haddad, do Instituto de Biociências da Unesp, em Rio Claro, e Mariana Oliveira, do Instituto de Biociências da USP. Todos os membros da coordenação lideram projetos temáticos no âmbito do Biota.

Outra prioridade será a aproximação do Biota com outros programas da FAPESP, como o de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) e o de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). “Estamos planejando uma discussão conjunta entre os três programas para identificar as sobreposições e estimular a integração de projetos”, afirma Joly. O Biota passará a fazer chamadas para áreas geográficas ou temáticas específicas. “As chamadas são um instrumento importante para preencher lacunas, direcionando a demanda de participação para determinadas áreas”, diz o coordenador.

Republicar