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BOAS PRÁTICAS

Disparidade de gênero persiste na área médica

A proporção de mulheres como primeiro e último autor de artigos em revistas médicas de prestígio não melhorou entre 2002 e 2019, segundo estudo

As mulheres são sub-representadas entre os autores de artigos científicos publicados em alguns periódicos científicos da área médica – e esse padrão desfavorável permaneceu estável nos últimos 20 anos. A conclusão consta de um estudo publicado em abril na PLOS ONE por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook, nos Estados Unidos. Eles analisaram 1.080 papers divulgados entre os anos de 2002 e 2019 em três grandes revistas médicas: The Lancet, The New England Journal of Medicine (NEJM) e The Journal of the American Medical Association (Jama).

Os pesquisadores verificaram que as mulheres aparecem como primeiro autor – quase sempre responsável pelas principais contribuições à pesquisa – em 27% deles, muito embora respondam por 37% do corpo docente das faculdades de medicina norte-americanas. Em apenas 19% dos papers elas aparecem como último autor – geralmente o líder do projeto. O Jama foi o único periódico em que a proporção de mulheres que assinam como primeiro autor (35%) é compatível com o percentual de professoras de medicina nos Estados Unidos.

O trabalho também analisou a produtividade dos autores dessas revistas. Constatou que, no rol de primeiros autores de artigos, apenas 3% das mulheres haviam publicado múltiplos artigos; entre os homens, o índice foi de 13%. Os achados podem ter implicações importantes, uma vez que o número de papers publicados em revistas médicas de prestígio tende a influenciar a tomada de decisão sobre promoções acadêmicas, financiamento e nomeação para cargos de liderança. “As diferenças identificadas entre mulheres e homens no nosso estudo podem estar ajudando a perpetuar as desigualdades de gênero presentes na medicina”, escreveram os autores.

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