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Boas práticas

Droga experimental contra Alzheimer cai em descrédito nos Estados Unidos

Fármaco simufilam é questionado após retratação de vários artigos ligados ao seu desenvolvimento

Uma droga anunciada como promissora contra a doença de Alzheimer vem caindo em descrédito nos Estados Unidos depois que estudos ligados ao seu desenvolvimento foram retratados ou questionados pela comunidade científica. O simufilam foi anunciado em 2021 pela Cassava Science, empresa de biotecnologia com sede em Austin, no estado do Texas. A companhia informou que o composto restaurou a forma e o funcionamento da proteína filamina A (FLNA), que se deforma no cérebro de pessoas com a doença, retardando a demência e melhorando a cognição de pacientes em ensaios clínicos de pequeno porte.

Familiares de alguns participantes afirmaram que eles apresentaram melhora cognitiva, mas especialistas declararam que os ensaios não tinham um grupo de placebo e os pacientes que receberam a droga não foram acompanhados por tempo suficiente para que qualquer sinal de melhora pudesse ser confirmado. Alguns críticos ressaltam ainda que não existem estudos independentes que apoiem a hipótese da empresa ou que expliquem seus resultados. “As conclusões gerais dos ensaios clínicos não fazem sentido para mim”, disse o biólogo molecular Thomas Südho, da Universidade Stanford e vencedor do prêmio Nobel de Medicina em 2013, ao jornal The New York Times.

Em março, após meses de investigação, a revista PLOS ONE retratou cinco artigos do médico Hoau-Yan Wang, da Universidade da Cidade de Nova York, principal colaborador da empresa. Dois deles, coassinados pela neurocientista Lindsay H. Burns, cientista-chefe da Cassava Science, tratavam da proteína-alvo do simufilam. Outras duas revistas, a Journal of Neuroscience e a Neurobiology of Aging, anexaram cartas de “expressão de preocupação” a artigos de Wang e Burns. Uma “expressão de preocupação” indica que os editores têm motivos para questionar a integridade de um artigo e estão reavaliando seus resultados. Essas revistas também chamaram a atenção para erros nas imagens que acompanham os estudos.

Remi Barbier, fundador e executivo-chefe da companhia, defendeu-se das acusações. “As alegações de manipulação de dados são falsas e foram divulgadas por indivíduos interessados em manipular o preço das ações da empresa na bolsa de valores”, disse ao Times.

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