Imprimir Republicar

Boas práticas

Em causa própria

Ex-editor de periódicos tem 12 artigos retratados por haver participado da decisão de publicá-los

Doze artigos científicos assinados pelo economista irlandês Brian Lucey sofreram retratação, ou seja, foram considerados inválidos após a publicação, devido a alegações de conflito de interesses e de irregularidades no processo de revisão por pares. Os artigos foram publicados em três revistas da editora Elsevier nas quais Lucey ocupava postos editoriais de destaque: International Review of Financial Analysis, International Review of Economics & Finance e Finance Research Letters.

O economista, que é pesquisador do Trinity College Dublin, reconheceu que supervisionou a avaliação dos próprios papers e participou da decisão de publicá-los, o que, de acordo com as notas de retratação, comprometeu o processo editorial e violou as políticas dos periódicos. A conduta de Lucey levou a Elsevier a encerrar o vínculo do pesquisador com as três revistas. Mas ele segue atuando em outras empresas: é editor-chefe do Journal of Economic Surveys, da Wiley, e do Energy Finance, da Springer Nature.

Lucey e os demais coautores dos artigos discordaram das retratações. Em entrevista ao site Retraction Watch, ele afirmou que o fato de ter tomado a decisão final sobre a publicação dos artigos não seria motivo suficiente para retratá-los, uma vez que os resultados dos papers são robustos e não foram contestados. Segundo disse, a Elsevier sabia que, em periódicos sobre finanças e economia, é comum que editores submetam artigos às próprias publicações e insinuou que a editora tratou seu caso de forma excessivamente rigorosa. “Nós fornecemos a eles evidências de centenas de casos semelhantes e nada aconteceu. Talvez revisem todos esses casos. Presumivelmente, tratarão todos da mesma forma”, afirmou.

Uma postagem sobre as retratações na rede social LinkedIn, feita pelo economista Richard Tol, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, despertou reações variadas. “Essa situação levanta questões importantes sobre integridade e responsabilidade editorial. É crucial que as editoras mantenham padrões éticos rigorosos para proteger a qualidade da pesquisa”, escreveu o analista de investimentos Ricardo Moura, brasileiro radicado no Canadá e especialista em criptomoedas. Já Klaus Grobys, professor de finanças da Universidade de Vaasa, na Finlândia, saiu em defesa de Lucey. “É amplamente reconhecido no meio acadêmico que muitos editores seguem práticas semelhantes. Escolher uma pessoa – Brian, nesse caso – como bode expiatório, me parece injusto”, declarou.

Republicar