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Estratégias

Ervas na berlinda

A venda de suplementos de ervas aumentou significativamente na última década – e o negócio já movimenta US$ 4,2 bilhões só nos Estados Unidos. Uma pesquisa realizada pela universidade britânica de Exeter estima que 30% dos norte-americanos, 20% dos habitantes do Reino Unido e 70% dos alemães usam tais suplementos, informou o Financial Times de 23 de maio. É certo que algumas dessas fórmulas produzem benefícios. Mas crescem os problemas de saúde relacionados ao uso indevido. O governo da Austrália, por exemplo, suspendeu a licença da maior empresa local de remédios à base de ervas.

Tudo porque um popular remédio contra enjôo provocava alucinações nos consumidores. Na Irlanda, detectou-se a presença de poderosos esteróides num prosaico creme para a pele recomendado para o tratamento de eczemas. O mais grave dos casos, no entanto, foi registrado na Bélgica, onde 105 pessoas morreram e outras 18 desenvolveram câncer depois que a erva aristolóquia foi receitada equivocadamente num tratamento para um problema de pele. Talvez o risco mais amplo seja a interação desses suplementos com medicamentos alopáticos.

Remédios inofensivos à base de ervas podem se tornar até fatais quando tomados em associação com drogas convencionais. A erva-de-São-João, popularmente usada para combater quadros depressivos, prejudica o efeito dos inibidores de protease, a família de remédios que multiplicou a sobrevida dos doentes de Aids. “Avisamos aos nossos consumidores para consultar médicos”, diz Jim Kinsinger, da fabricante de chá Celestial Seasonings.

Nos Estados Unidos, cresce um movimento em defesa de uma regulamentação mais severa do setor. Kinsinger diz que uma regulamentação mais dura poderia até aumentar a credibilidade dos produtos, ao distinguir os fabricantes sérios e os irresponsáveis. Isso não garantiria, contudo, segurança total. “Nenhum medicamento de ervas é completamente isento de riscos”, diz Edzard Ernst, da Universidade de Exeter. “Certamente precisamos de mais controle sobre a qualidade, mas acabar com os complementos seria um exagero.”

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