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Tecnociência

Esforços para explicar – e evitar – a turbulência

Quem viaja de avião certamente já experimentou um dos tipos de movimentos que mais intrigam os físicos – a turbulência, expressa também nos furacões e maremotos. Com o objetivo de entender esses fenômenos e descobrir quando e onde vão aparecer, um grupo de pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) reproduziu situações similares num plasma, uma mistura de partículas atômicas eletricamente carregadas, encontrada no Sol, por exemplo.

Os físicos descobriram que existe simetria na turbulência da borda do plasma. No centro do plasma, já se sabia, há estabilidade. Já a turbulência, embora altamente instável, é regida por estruturas regulares, os vórtices, que funcionam como eixos em movimento e não deixam qualquer coisa acontecer ao redor. “A turbulência é menos bagunçada do que alguns sistema biológicos, como o disparo de neurônios diante de uma luz intensa, por exemplo”, comenta Murilo Baptista, o principal autor do estudo de 13 páginas publicado em dezembro na Physica A, assinado também por Iberê Caldas, Maria Vitória Heller e André Ferreira, do grupo de plasma da USP.

O experimento avaliou a variação de uma medida do campo elétrico, o chamado potencial elétrico, que é gerado por partículas carregadas e pode ser positivo ou negativo. O conhecimento das variáveis que regem esse aparente gosto em causar surpresas pode levar a cálculos mais respeitáveis sobre quando a atmosfera passaria a se comportar de modo turbulento – seria o primeiro passo para evitar que um avião entrasse numa dessas regiões.

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