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Fomento

Estados unidos

Sete fundações de amparo à pesquisa se articulam para criar uma rede de investigação sobre a malária

Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de sete estados brasileiros articulam uma parceria inédita a fim de buscar respostas para enfrentar a malária, doença que atinge 500 mil brasileiros e mata mil deles anualmente, quase todos na região amazônica. No dia 17 de novembro acontece em Brasília uma reunião com representantes das FAPs do Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo para discutir um documento que propõe a criação da Rede de Malária. A expectativa de Odenildo Sena, presidente do Conselho Nacional das FAPs (Confap), é de que sejam lançados editais em cada estado nos próximos meses. “Seria bom formalizarmos a rede ainda neste ano para garantir recursos orçamentários em 2009”, afirma Sena, que também é presidente da fundação do Amazonas (Fapeam). O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Ministério da Saúde já manifestaram interesse de patrocinar a Rede de Malária.

Segundo Odenildo Sena, cada estado deverá aplicar entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em pesquisas, mas o valor de cada edital deverá chegar a pelo menos R$ 3 milhões, pois incluirá uma contrapartida do CNPq e, possivelmente, do Ministério da Saúde. Os participantes da rede definirão os temas a serem investigados conjuntamente. “A idéia é que todos se esforcem para resolver problemas cruciais, como a busca de uma vacina contra a doença ou o desenvolvimento de remédios a partir de plantas, e não que cada um se dedique  a questões específicas, sem se articular com os demais”, diz Sena. Como vários estados da região amazônica não dispõem de FAPs organizadas, a rede poderá envolver pesquisadores desses locais utilizando recursos do governo federal. É o caso, por exemplo, de Rondônia, que não tem uma fundação, mas abriga o Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais (Ipepatro), centro de referência em moléstias parasitárias comandado pelo renomado parasitologista Luiz Hildebrando Pereira da Silva.

É a primeira vez que tantas FAPs se organizam para atuar conjuntamente. A Rede de Malária começou a ser concebida há poucos meses, quando a Fapeam decidiu lançar um edital para fomentar pesquisas sobre malária e apresentou propostas de parceria para a FAPESP e a fundação do Pará. Como a receptividade foi boa, dirigentes de fundações de outros estados foram contatados e aceitaram incorporar-se à iniciativa. “Temos no Amazonas um laboratório a céu aberto e os outros estados detêm expertises próprias em pesquisas sobre a doença”, diz Odenildo Sena. “Quem está na vanguarda da pesquisa em determinadas áreas poderá contribuir com estados com maior dificuldade. A troca de experiência é importante para o desenvolvimento da pesquisa no país.” A participação do CNPq foi acertada numa reunião realizada em Brasília no final de setembro entre os representantes das FAPs e Marco Antônio Zago, presidente do órgão. No dia 3 de outubro, outra reunião selou o interesse do Ministério da Saúde em aderir ao programa. “O Brasil já tem bons investimentos em pesquisa sobre malária e é importante potencializar as capacidades dos estados para eliminar a doença”, disse Suzanne Jacob Serruya, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

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