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Inovação

Feira de ciências distribui 300 prêmios para estudantes

Febrace chega à 17ª edição e mostra projetos mais maduros

Resíduo agroindustrial de macadâmia pode dar origem a embalagens

Léo Ramos Chaves

Juliana Davoglio Estradioto, aluna do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), na cidade gaúcha de Osório, conquistou um prêmio importante da 17ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada entre os dias 19 e 21 de março em São Paulo. Ela ficou em primeiro lugar na categoria Ciências Agrárias com um projeto que propõe o reaproveitamento de resíduo agroindustrial da macadâmia para a produção de embalagens biodegradáveis. “Meu maior interesse é o descarte correto dos resíduos. Geralmente os sacos de lixo são feitos de plástico e podem atrapalhar a coleta seletiva”, explica Estradioto, que tem 18 anos. Como os demais participantes da feira, que aconteceu no campus principal da Universidade de São Paulo (USP) na capital paulista, a estudante contou com a orientação de dois professores de sua escola, a engenheira de alimentos Flavia Twardovski Pinto e o químico Thiago Rafalski Maduro.

Cerca de 72 mil estudantes submeteram projetos neste ano, diretamente ou por feiras afiliadas. Muitas equipes eram compostas por mais de um estudante e pelo menos um professor orientador. “Hoje, a Febrace tem 116 feiras afiliadas, o que mostra a abrangência crescente do programa e do aumento do alcance do incentivo à pesquisa entre os jovens de todo o país”, diz Roseli de Deus Lopes, coordenadora-geral da Febrace e professora da Escola Politécnica da USP. Das 332 equipes finalistas, compostas por 751 estudantes dos ensinos fundamental, médio e técnico de todas as regiões do Brasil, a feira laureou quase 300 projetos – além dos quatro melhores colocados em sete categorias, houve prêmios concedidos por diversas empresas e instituições, como a Petrobras, a Intel e a American Psychological Association, entre outros.

Léo Ramos Chaves Juliana Estradioto mostra placa com biomembranas à base de macadâmiaLéo Ramos Chaves

Os vencedores receberam troféus, certificados, bolsas de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e assinaturas de revista Pesquisa FAPESP. Os autores de nove projetos poderão participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF). O evento ocorrerá entre os dias 12 e 17 de maio na cidade de Phoenix, nos Estados Unidos. “Estamos cumprindo o propósito de incentivar a inovação e o gosto pela ciência entre os jovens no Brasil”, diz Lopes. A lista completa dos ganhadores está disponível em www.febrace.org.br.

Em Ciências Biológicas, o prêmio principal foi dividido. Uma das vencedoras foi Thailenny Dantas Rezende, da Escola Estadual Teotônio Vilela, em Campo Grande (MS), que analisou o impacto da disseminação de uma espécie vegetal exótica, Leucaena leucocephala, sobre a produtividade de hortas de alface nas proximidades de córregos na cidade. O outro grupo, composto pelos estudantes José Guilherme Oliveira Matias e Yanne Lara Gurgel Pinheiro, da Escola Joaquim de Figueiredo Correia, de Iracema (CE), mapeou a contaminação por agrotóxicos de poços de água na região do Vale do Jaguaribe.

Léo Ramos Chaves Eduarda Cristina Jacobus Ferreira e Helena Metz de Souza desenvolveram um creme para tratamento de melanomaLéo Ramos Chaves

Ekarinny Myrela Brito de Medeiros, aluna da Escola Estadual Professor Hermógenes Nogueira da Costa, de Mossoró (RN), ganhou o primeiro lugar na categoria Ciências da Saúde, pelo desenvolvimento de um cateter feito a partir do reaproveitamento de castanha-de-caju. Patricia Honorato Moreira, de Goiânia (GO), venceu em Ciências Exatas e da Terra com um projeto que avaliou o potencial do uso de sementes de uma espécie, Moringa oleifera, para prevenir o acúmulo de nutrientes de nitrogênio e fósforo e a proliferação acelerada de algas em ambientes aquáticos.

Na categoria Ciências Humanas, um dos projetos vencedores, sobre saúde mental de adolescentes, foi apresentado por um grupo de alunas do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo. As estudantes Alessandra Maranca, Maria Clara Nascentes e Catharina Faria de Morais aplicaram questionários para correlacionar fatores ligados à formação da identidade dos adolescentes com problemas de saúde mental. O projeto foi também agraciado com o prêmio Outstanding for Behavioral Sciences, concedido pela American Psychological Association.

Alguns estudantes escolheram temas relacionados a problemas que os afetam. Helena Metz de Souza e Eduarda Cristina Jacobus Ferreira, ambas de 18 anos, alunas de uma escola técnica estadual da cidade gaúcha de Novo Hamburgo, desenvolveram nanocápsulas com crisina, composto extraído da planta Passiflora coerulea, para aplicação em forma de creme em pacientes com melanoma cutâneo, o tipo mais agressivo de câncer de pele. “Testes que realizamos mostraram que o composto pode atingir camadas profundas da pele, o que outros medicamentos não conseguiriam fazer”, explica Helena Souza. “Pessoas da minha família tiveram a doença e quis contribuir com algo que ajudasse no tratamento”, conta Eduarda Ferreira. “A Febrace representa uma oportunidade importante para nos destacarmos e seguirmos carreira na ciência, quem sabe até indo estudar em uma universidade no exterior”, diz Souza. A dupla ficou com o terceiro lugar na categoria Ciências da Saúde.

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