Guia Covid-19
Imprimir PDF Republicar

Flora

Flora diminuta do passado

Frutos e sementes do Cretáceo vistos com tomografias de raios X

else marie friisFrutos e sementes do Cretáceo vistos com tomografias de raios X else marie friis

As primeiras plantas com flores – as angiospermas – surgiram no planeta entre 130 milhões e 100 milhões de anos atrás e devem mesmo ter sido muito pequenas. Fósseis encontrados nas últimas décadas já indicavam que as plantas com flores que começaram a brotar na Terra naquela época, o início do Cretáceo, tinham porte herbáceo ou, no máximo, de arbusto, viviam pouco e estavam entre as primeiras espécies a colonizar espaços degradados. Indícios obtidos por pesquisadores da Suécia, da Suíça, da Dinamarca e dos Estados Unidos confirmam a ideia de que as primeiras angiospermas tinham essas características. Usando microtomografia de raios X, a paleobotânica Else Marie Friis e colaboradores analisaram a estrutura interna de sementes fossilizadas de 75 grupos de angiospermas pertencentes a 11 floras que existiram entre 125 milhões e 110 milhões de anos atrás onde estão hoje Portugal e a América do Norte. Entre as quase 250 sementes de que foram feitas imagens, todas tinham menos de 2,5 milímetros de comprimento e cerca de 50 mantinham um embrião minúsculo, parcial ou totalmente preservado e acompanhado de tecido de armazenamento de nutrientes (Nature, 24 de dezembro). Nesses casos, as sementes estavam em dormência: não haviam germinado. Segundo os pesquisadores, o tamanho das sementes analisadas nesse e em outros trabalhos é compatível com o esperado com base no registro fóssil e na relação que se observa hoje entre o tamanho de plantas pequenas e suas sementes. O tamanho diminuto dos embriões e o fato de estarem dormentes assegurariam que as sementes dessas angiospermas ancestrais poderiam sobreviver até encontrar condições de germinar.

Republicar