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Boas práticas

Fraude em ranking universitário vai à Justiça

Moshe Porat, que entre 1996 e 2018 foi diretor da Escola de Negócios Fox da Universidade Temple, nos Estados Unidos, está sendo processado em um tribunal federal do país por fraudar informações enviadas a um tradicional ranking de universidades norte-americanas publicado desde 1983 pela revista eletrônica U.S News & World Report. A pena, caso ele seja condenado, pode chegar a 25 anos de prisão e multa de US$ 500 mil. De acordo com denúncia apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Porat “conspirou e criou um plano para enganar candidatos a vagas, alunos e doadores da escola, fazendo-os acreditar que ela oferecia cursos de graduação em administração de primeira linha a fim de que pagassem anuidades escolares e fizessem contribuições para a Universidade Temple”.

Israelense radicado há décadas nos Estados Unidos, Porat e outros dois ex-funcionários da escola, o docente Isaac Gottlieb e a administradora Marjorie O’Neall, são acusados de falsificar dados sobre o desempenho de programas de pós-graduação profissionais MBA (Master in Business Administration) da instituição, como a experiência profissional dos alunos e o número de estudantes que faziam os cursos em meio período. O diretor informou, por exemplo, que todos os estudantes de um curso on-line de MBA haviam sido selecionados e aprovados em testes de admissão, mas o contingente real não passava de 20%. Quase 90% das receitas da escola vêm de cursos de MBA on-line.

De acordo com o Departamento de Justiça, a fraude fez com que o MBA on-line saltasse da 28ª colocação no ranking da U.S. News em sua categoria, em 2013, para o primeiro lugar nos quatro anos seguintes. A manipulação teve início após uma reunião entre executivos da escola e responsáveis pelo ranking, em 2013, em que ficou claro que o U.S. News não tinha meios de auditar os dados fornecidos pelas universidades. A procuradora Jennifer Williams, responsável pelo indiciamento do ex-diretor, disse ao site Inside Higher Ed, que a conduta de Porat comprometeu a integridade do sistema acadêmico e causou prejuízos aos alunos que balizaram suas escolhas pelo ranking. “O sucesso do sistema de ensino superior nos Estados Unidos não depende apenas da excelência acadêmica, do rigor dos programas oferecidos, da aptidão e do trabalho árduo dos candidatos e alunos, mas também da transparência e da honestidade sobre o próprio sistema”, disse.

A Universidade Temple é uma instituição pública de ensino superior criada em 1834 na Filadélfia, Estados Unidos, com mais de 38 mil estudantes. Porat, que deixou a direção da Escola de Negócios, mas ainda mantém vínculo com ela, nega as acusações e está processando a instituição por supostamente difamá-lo em comunicados sobre o escândalo. No ano passado, a universidade concordou em pagar US$ 4 milhões para alunos e ex-alunos do programa MBA on-line e também US$ 1,4 milhão para estudantes de outros programas da Escola de Negócios que entraram na Justiça quando as suspeitas de fraude eclodiram.

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