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BOAS PRÁTICAS

Grupo Nature exigirá descrição de dados sobre sexo e gênero em artigos submetidos

Objetivo é dar mais transparência ao desenho metodológico dos trabalhos e tornar as descobertas mais precisas

Edward Jenner

Revistas do grupo Nature passarão a exigir, no momento da submissão de um artigo científico, uma declaração dos autores informando se e como diferenças de sexo e gênero foram consideradas no desenho de sua pesquisa. Caso nenhuma análise tenha sido feita nesse sentido, os pesquisadores devem esclarecer por que isso ocorreu. Eles também terão de destacar no título ou no resumo dos papers a qual sexo e gênero os achados se aplicam. As mudanças têm como foco estudos com humanos, vertebrados e linhagens celulares, nos quais tais fatores podem ser relevantes para análise e interpretação dos resultados.

Segundo editorial da revista Nature, muitas pesquisas ainda não levam tais aspectos em conta em seu desenho metodológico, o que pode causar vieses nos resultados. Em um conjunto de 10 medicamentos retirados de uso nos Estados Unidos entre 1997 e 2001, oito desencadearam efeitos colaterais mais graves em mulheres do que em homens – possivelmente porque diferenças sexuais não foram suficientes ou adequadamente analisadas nos ensaios clínicos.

“Ao introduzir essas mudanças, pretendemos promover a transparência do desenho dos estudos e, em última análise, tornar as descobertas mais precisas”, segundo o editorial. “Com o tempo, esperamos ver a incorporação e a análise de diferenças de sexo e gênero no desenho das pesquisas como algo padrão.” As diretrizes também solicitam aos autores cuidados no uso das expressões “sexo”, que é atributo biológico, e “gênero”, que incorpora circunstâncias sociais e culturais, a fim de não confundir os dois conceitos.

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