Um estudo publicado em janeiro na revista Humanities and Social Sciences Communications, da editora Springer Nature, foi retratado, ou seja, considerado inválido, depois que leitores e especialistas foram às redes sociais apontar erros bizarros em seu conteúdo – o paper afirmava, por exemplo, que os antigos gregos vetavam o uso da grafia H₂O para se referir à água, desconsiderando que a fórmula química só foi descoberta no século XVIII. Intitulado “Uma investigação translinguística do simbolismo de /h/: o caso do H2O”, o artigo se propunha a explorar a aquisição da ortografia e do som da letra h e a sua eliminação em diferentes línguas “modernas ou primitivas”.
O autor, o jordaniano Rasheed Al-Jarrah, da Universidade de Yarmouk, em Irbid, não concordou com a retratação. Ele disse à revista Times Higher Education que o artigo passara por duas revisões sem que houvesse nenhum apontamento de dúvidas teóricas. A governança da revista científica também foi alvo de críticas – o periódico publica um grande volume de artigos (quase 2 mil no ano passado) e diz contar com um número enorme de especialistas (2.750) em seu conselho editorial para dar conta da tarefa. Gino D’Oca, editor-chefe do título, reconheceu que, “embora o artigo tenha sido revisado por dois acadêmicos, as revisões e o tratamento editorial foram insuficientes”. Segundo ele, o membro do conselho editorial que analisou o artigo foi dispensado. Uma avaliação mais ampla dos processos da revista foi deflagrada para verificar se o incidente foi ou não um caso isolado.
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