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Agronomia

Hora do café

Pesquisadores concluem primeira fase do seqüenciamento do genoma da planta

MIGUEL BOYAYANGrãos de café: movimento de R$ 10 bilhõesMIGUEL BOYAYAN

Chegou a vez do café. O agronegócio que movimenta US$ 91 bilhões por ano em todo o mundo – R$ 10 bilhões só no Brasil -, e é responsável por 2% das exportações, teve parte de seu seqüenciamento concluído. O objetivo do trabalho é contribuir para ampliar a produtividade do setor, com plantas mais resistentes a doenças e grãos com uma qualidade melhor. O projeto é um investimento conjunto da FAPESP com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Café), que começou em 2003 e acaba de ter a sua primeira fase encerrada.

O trabalho realizado pelos grupos ligados ao Agronomical and Environmental Genome (AEG), da FAPESP, e o Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen), da Embrapa, gerou 155 mil seqüências de genes. “São praticamente 25 mil genes com grande potencial”, diz o cientista Carlos Colombo, coordenador do Genoma Café em São Paulo e pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas. Por enquanto, as 100 mil seqüências geradas em São Paulo e as 55 mil feitas pelos pesquisadores da Embrapa estão em bancos de dados separados.

O próximo passo do projeto será unir todas essas informações em um único lugar. O banco de dados obtido pelos pesquisadores brasileiros é o resultado do seqüenciamento de várias bibliotecas de cDNA, ou seja, seqüências de DNA correspondentes aos genes expressos nos vários tecidos da planta (folhas, raízes, frutos, flores e ramos sadios e submetidos a estresses bióticos e abióticos, pragas, doenças, frio, calor, seca) em diversos estágios de desenvolvimento.

A equipe científica do genoma do café optou pelo seqüenciamento de Etiquetas de Seqüências Expressas (EST) – Expressed Sequence Tags -, onde apenas os genes expressos pelo organismo são seqüenciados. “Agora, vamos convocar os interessados em participar da fase de análise funcional das seqüências geradas”, disse Colombo. Segundo o pesquisador, os cientistas paulistas devem se reunir ainda em maio para discutir os resultados do seqüenciamento e preparar as próximas pesquisas que devem ser desencadeadas nas fases seguintes.

O café é um dos principais produtos da agricultura paulista, ao lado da laranja e da cana-de-açúcar. Segundo dados fornecidos pela Embrapa, a área do café no país hoje ocupa 2,7 milhões de hectares, com aproximadamente 6 bilhões de pés, e está presente em mais de 2 mil municípios de 16 estados brasileiros, do Paraná ao Amapá, o que possibilita uma diversificada disposição espacial da produção. A cultura cafeeira também tem grande importância em termos de geração de emprego no Brasil: emprega 8 milhões de pessoas.

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