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Nutrição

Informação no prato

Levantamento do conteúdo de hortaliças visa a melhorar a alimentação no país

As hortaliças não têm grande prestígio com o brasileiro, que, em média, só come 50 quilogramas (kg) delas por ano. Isso é três vezes menos que a média de consumo do alemão, do norte-americano e do japonês, por exemplo, embora estes precisem menos de hortaliças, por não viverem num clima tropical. E o consumo de hortaliças no país é baixo, independentemente da camada social: vai de 30,8 kg anuais per capita, entre os que ganham até dois salários mínimos, até 72,3 kg, na faixa acima de 30 salários mínimos.

Se continuarmos assim, não será por falta de informação: pesquisadoras da Embrapa Hortaliças, de Brasília, reuniram num pôster de 60 por 60 centímetros amplas informações sobre a composição nutricional de 53 hortaliças alinhadas alfabeticamente, da abóbora à vagem. Para cada hortaliça, o quadro mostra seu conteúdo de 19 nutrientes. A essa tabela, onde juntaram informações dispersas em muitos livros e manuais, as pesquisadoras acrescentaram as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) sobre o consumo mínimo necessário de nutrientes para adultos, gestantes e crianças.

A tabela também serve de orientação para atender a necessidades específicas. Quem, por exemplo, tem anemia – ou não quer ter – deve buscar alimentos ricos em ferro. Caso se canse do sabor do brócolos – que tem 15.000 miligramas (mg) de ferro em 100 gramas -, pode recorrer ao grão-de-bico (6.240 mg), à acelga (2.900 mg) ou mesmo à cenoura (0,6 mg). Inversamente, quem precisa evitar zinco, cujo excesso causa rachaduras na pele, pode se fartar com almeirão, batata-doce branca e roxa, cenoura, couve-manteiga, ervilha, jiló e vagem, hortaliças nas quais não se detectou esse mineral, de acordo com o levantamento das autoras desse trabalho.

O trabalho remete a um problema amplo. “Temos de rever a alimentação”, diz a engenheira agrônoma Rita de Fátima Alves Luengo, uma das autoras. Num país de clima normalmente ameno como o Brasil, além do valioso trivial arroz com feijão e “mistura” (proteína animal), as pessoas precisam consumir mais os chamados alimentos de manutenção, que são as hortaliças e as frutas, ricas em vitaminas e sais minerais. É uma situação diferente da dos países de clima frio, onde a prioridade são as proteínas e as gorduras, para ajudar o corpo a manter o calor.

Um agravante é que vitaminas e sais minerais não se acumulam no organismo, como as gorduras: precisam ser constantemente repostos. É preciso, portanto, aumentar seu consumo, bem como o de frutas. A propósito, conclui Rita, “uma tabela equivalente de frutas seria muito bem-vinda”. Elaborada pela agrônoma Rita junto com as bibliotecárias Rosane Mendes Parmagnani, Márcia Regina Parente e Maria Fátima Bezerra Ferreira Lima, a Tabela de Composição Nutricional das Hortaliças pode ser solicitada pelo endereço sac.hortalicas@embrapa.br.

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