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Humanidades

Investida contra as barreiras do português

O professor Celso de Barros Gomes, geólogo graduado e doutorado pela USP, é um homem de múltiplas atividades. Professor titular do Instituto de Geociências da USP, unidade da qual foi diretor entre 1983 e 1987, é também o atual coordenador de Comunicação Social da mesma universidade e conselheiro da FAPESP desde 1994, entre outras coisas. Mas entre 1994 e 1996 dificilmente alguma coisa terá concentrado mais sua atenção e esforços do que a organização e edição do livro Alkaline Magmatism in Central-Eastern Paraguay. Sobre esse trabalho publicamos abaixo trechos de sua entrevista ao Notícias FAPESP.

O que o senhor destaca como o aspecto mais importante dessa publicação?
A possibilidade de reunir numa única fonte, acessível à comunidade científica internacional interessada na temática, todas as informações relativas ao magmatismo alcalino da Bacia do Paraná. Tínhamos publicado vários trabalhos, mas em revistas brasileiras, editadas em português, um idioma estranho à comunidade científica internacional. Daí, infelizmente, por mais que as pessoas o desejassem, não tinham conhecimento dessa produção. E a divulgação é uma necessidade mais dramática no caso da Geologia, porque trata-se de uma área de conhecimento que tem um componente regional muito forte.

Se as geociências tem esse caráter regional, como foi possível reunir no projeto pesquisadores de vários países?
O Paraguai era um vasto campo para ser explorado, o desconhecimento a seu respeito era total. Isso sensibiliza pesquisadores interessados na temática e os convence a concentrar esforços. A integração evoluiu de uma forma natural, até porque para os europeus, em particular, a possibilidade de desenvolver pesquisa básica em outros continentes é altamente atraente e em determinadas áreas, vital, dado a grande concentração de pesquisadores nessas áreas. Não podemos esquecer o interesse dos pesquisadores de sempre partir para novas fronteiras.

O livro estava no horizonte desde o inicio do projeto?
Não. O que fomentou a idéia do livro foi o bom andamento do projeto e seus resultados. Aliás, estou agora estruturando um novo projeto focalizando exclusivamente o alcalino e estou pensando se devo inserir nele um livro, ou, como na primeira experiência, aguardar a evolução das coisas e decidir sobre a conveniência ou não de culminá-lo com uma obra.

E a experiência de preparar o livro propriamente?
Bem, eu tinha uma experiência anterior, de 1984, se bem que numa temática mais restrita, com número menor de colaboradores – eram quatro capítulos centrais e eu era colaborador de dois deles. Dessa vez foi muito mais complicado. São as dificuldades de conciliar prazos, informações que não chegam no mesmo período e às vezes são conflitantes. São as leituras e releituras exigidas, a conferência de referências cruzadas, as necessida- des de uniformização e de tomar o maior cuidado com eventuais contradições. É a dificuldade de trabalhar com grande quantidade de dados, principalmente de dados químicos, que exigem um grande cuidado. Enfim, quem já fez sabe o trabalho que dá.

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