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Tecnociência

Litoral do rio, há 3 mil anos

ANGELA BUARQUE

Tigelas: cerâmica guarda história tupi-guaraniANGELA BUARQUE

A chegada das populações tupi-guaranis à costa brasileira pode ter recuado quase mil anos, para cerca de 3 mil anos antes dos dias atuais. Análises de carbono haviam revelado sinais da ocupação humana há quase 1.800 anos no atual município de Araruama, sudeste do Rio de Janeiro. No entanto, esses povos nativos podem ter vivido nessa região há muito mais tempo. Sob a coordenação de Rita Scheel-Ybert, uma equipe de arqueólogos do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) datou o carbono de amostras de carvão remanescentes de duas fogueiras, uma funerária e outra usada possivelmente para queimar cerâmica. Uma havia sido acesa há provavelmente 2.900 anos, outra há 2.600 anos. Essas conclusões, apresentadas na edição de dezembro dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, podem levar a ajustes nas teorias sobre a origem e a dispersão dos povos nativos a partir da Amazônia: algumas linhas de pesquisa já sugeriam que poderiam ter partido de lá há bem mais de 2 mil anos. Os europeus os encontraram somente em 1500.

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