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Engenharia naval

Marinha lança ao mar o Humaitá

Embarcação faz parte do programa que prevê a construção no país de quatro submarinos convencionais e um nuclear

Cerimônia de batismo do Humaitá, um dos quatro submarinos convencionais que integram o ProSub

José Dias/PR

A Marinha do Brasil fez o lançamento na sexta-feira (11/12) do submarino Humaitá (S-41), de 71 metros de comprimento e 1.870 toneladas. Construído pela Itaguaí Construções Navais (ICN), o submarino tem capacidade para 35 tripulantes, autonomia de mais de 70 dias no mar e foi o segundo de uma série de cinco embarcações a ficar pronto. Todos fazem parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub), da Marinha. O primeiro, o Riachuelo (S-40), foi lançado há dois anos e encontra-se em fase final de testes de navegação.

O ProSub é resultado de um acordo de cooperação assinado em 2008 entre os governos do Brasil e da França, com participação de empresas públicas e privadas sob coordenação da Marinha brasileira. Com orçamento estimado em R$ 37,1 bilhões, seu objetivo é modernizar a frota de submarinos do país e aumentar a capacidade de defesa e monitoramento das águas brasileiras. O contrato prevê transferência de tecnologia francesa para o país, nacionalização de equipamentos e capacitação de pessoal.

Das cinco embarcações programadas, quatro são movidas a propulsão convencional, dotadas de motores diesel-elétricos de fabricação francesa, e uma tem propulsão nuclear. Todas foram projetados para carregar mísseis, minas e torpedos. No mesmo dia do lançamento do Humaitá, ocorrido no Complexo Naval de Itaguaí, na costa fluminense, foi realizado o processo de integração das sessões do Tonelero, a próxima embarcação a ser lançada. Por ser muito grande, o casco dos submarinos é feito em partes, ou sessões, que são depois unidas.

O cronograma do ProSub prevê que tanto o Tonelero (S-42) quanto o Angostura (S-43) sejam lançados no terceiro trimestre de 2021 e 2022, respectivamente. Os dois, assim como o Riachuelo e o Humaitá, são movidos a propulsão convencional e derivam dos submarinos franceses da classe Scorpène, projetados e desenvolvidos pela companhia estatal francesa Naval Group. Na medida em que ficarem prontos, os novos submarinos irão substituir a atual frota composta por cinco embarcações da classe Tupi, fabricados nos anos 1980 e 1990 a partir de um acordo entre Brasil e Alemanha.

Já o submarino nuclear SN-BR Álvaro Alberto está previsto para ficar pronto em 2029. A data de conclusão da embarcação, responsável por um terço do orçamento do ProSub, tem sido seguidamente adiada – de acordo com o cronograma original, seu lançamento deveria ocorrer em 2021. O submarino encontra-se em fase de projeto.

O nome do SN-BR é uma homenagem a Álvaro Alberto da Mota e Silva (1889-1976), cientista e vice-almirante brasileiro que defendia o uso de energia nuclear e, principalmente, o direito de países em desenvolvimento empregarem esse tipo de energia. Ele também foi o idealizador e o primeiro presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), criado em 1951.

Atualmente, apenas seis países (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Índia) dominam a tecnologia de fabricação de submarinos nucleares. Essas embarcações apresentam como grandes vantagens a capacidade de manter-se em operação por tempo indeterminado e a maior velocidade de deslocamento, de 35 nós (quase 65 km/h) diante de 6 nós (cerca de 11 km/h) dos submarinos convencionais. O desenvolvimento do sistema de propulsão do SN-BR Álvaro Alberto é responsabilidade exclusiva da Marinha, que ainda precisa superar uma série de desafios associados à tecnologia nuclear.

Tomaz Silva/Agência Brasil Construção do submarino Tonelero, previsto para ficar pronto no segundo semestre de 2021Tomaz Silva/Agência Brasil

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