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Tecnociência

Mercúrio contamina índios em Rondônia

Nem só à região do garimpo se restringem os danos ambientais e de saúde provocados pela extração do ouro. Pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC), em Belém, no Pará, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro avaliaram 910 índios da etnia pacaá-nova, habitantes da região de Guarajá-mirim – no noroeste de Rondônia, próximo à Bolívia e distante dezenas de quilômetros dos garimpos do rio Madeira.

A partir da análise das taxas de mercúrio encontradas no cabelo, a equipe de Elisabeth Santos, do IEC, viu que os índios apresentavam níveis superiores ao limite tolerado pela Organização Mundial da Saúde, que é de 6 microgramas por grama de cabelo – em média, os níveis dos pacaás-novas eram de 6,9 microgramas/grama, segundo estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública.

Utilizado para separar da areia o ouro, o mercúrio sobe como vapor para a atmosfera e contamina o solo e os peixes dos rios. O mais grave é que as concentrações estavam mais elevadas justamente nos indivíduos mais suscetíveis aos efeitos danosos desse metal: as mulheres em idade reprodutiva e as crianças, que podem apresentar enfraquecimento dos músculos, perda da visão e até danos cerebrais. A taxa de mercúrio chegou a 10,4 microgramas/grama no cabelo de 75% das crianças e atingiu 10,9 microgramas/grama em três de cada quatro índias.

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