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Saúde

Mortalidade de mães negras

No ano 2000 a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro registrou um aumento 2,3 vezes maior na mortalidade materna de mulheres negras em relação à de mulheres brancas. Dentre elas, 61,19% eram solteiras, 60,5% tinham renda de 1 a 2 salários mínimos e a grande maioria das vítimas trabalhava como domésticas. Os principais problemas que levavam às mortes foram as doenças hipertensivas, seguidas de síndromes hemorrágicas, infecções puerperais e o aborto ou doenças cardiovasculares que se complicam com a gravidez. No entanto, o artigo “Mortalidade materna de mulheres negras no Brasil”, de Alaerte Leandro Martins, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, mostra que o problema não é uma fatalidade. Por afetar em sua maioria a população negra e pobre do Brasil, resulta principalmente da falta de políticas públicas no setor. Ao traçar uma revisão dos estudos feitos sobre o tema, o trabalho flagra a precariedade dos registros dos casos de óbito que impedem uma compreensão mais ampla do problema e refletem o descaso diante dele. O perfil das vítimas é de mulheres que têm em média 28,6 anos, sendo que 3,6% delas são analfabetas. Para a redução da mortalidade, o estudo propõe uma humanização do atendimento hospitalar e pré-natal, o fortalecimento dos processos via Ministério Público e da indenização individual, apresentada pelos familiares das vítimas.

Cadernos de Saúde Pública – vol. 22 – nº 11 – Rio de Janeiro – nov. 2006

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