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Mundo

Mulheres distantes da ciência no Butão

No pequeno Butão – país localizado na cordilheira do Himalaia, entre o Tibete e a Índia – ciência é coisa de homem. Valores socioculturais contribuem para afastar as mulheres da vida acadêmica. Como são as filhas que herdam prioritariamente as propriedades da família, os pais acham desnecessário que as garotas estudem ou busquem uma carreira bem remunerada. Conservadora, a sociedade butanesa sempre relegou às mulheres as tarefas domésticas e os cuidados com os pais idosos.

Um estudo de dois anos conduzido por Sonam Rinchen, cientista do Instituto de Educação em Samtse, evidenciou uma participação feminina na atividade científica praticamente nula. O problema começa na escola, onde o desempenho das meninas é bem inferior ao apresentado pelos meninos (eles se saem até 38% melhor) e raramente os pais de garotas as encorajam a seguir uma carreira científica.

Para o diretor do Centro de Pesquisa Educacional e Desenvolvimento, T. S. Powdyel, a constatação é motivo de alarme. “Como quase a metade da nossa população é feminina, faria muita diferença para o desenvolvimento do país se elas seguissem uma carreira científica”, observa.

Na Índia, ao contrário do Butão, a ciência atrai as meninas. Tashi Dema, arquiteta butanesa, tem a explicação: “Quanto melhor uma garota se sair academicamente na Índia, mais propostas de casamento receberá”. No Butão, diz ela, a lógica é outra. “Elas herdam propriedades, casam-se e se acomodam.” (Kuensel Online, 17 de junho)

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