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Engenharia de produção

O poder de compra

É cada vez maior a influência das montadoras sobre os fornecedores de autopeças

Nos últimos dez anos, 12 plantas industriais para a produção de veículos automotores foram construídas e estão em operação no Brasil. Esse fato, aliado às mudanças estruturais dos fabricantes em todo o mundo, gerou novos comportamentos entre as montadoras e seus fornecedores de autopeças. Hoje, a influência das montadoras é maior e mais decisiva, especialmente sobre aqueles de capital nacional, de menor porte e com menor capacidade tecnológica. E isso ocorre mesmo com o incremento de novos processos de produção, que priorizam a terceirização e uma maior integração entre montadoras e seus fornecedores.

A principal característica desses novos modelos de produção é a redução do número de fornecedores diretos. Fato que, a princípio, poderia representar um aumento do poder de barganha dos fornecedores de autopeças. Mas isso não ocorre. “São as montadoras que lideram as relações comerciais neste mercado”, diz Alceu Gomes Alves Filho, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ele coordena um grupo de estudo interdisciplinar com o objetivo de analisar a organização da produção da indústria automobilística instalada no país.

Estratégia mundial
Os principais focos da equipe são entender como evoluem as relações entre as montadoras e seus fornecedores e como essas empresas organizam a produção. É um trabalho exploratório, mas que apresenta alguns resultados gerais concretos, como a maior influência das montadoras sobre seus fornecedores, motivada por três fatores levantados pela equipe. O primeiro está relacionado a uma característica do mercado. As empresas de autopeças dependem das compras das montadoras. Em 1999, apenas 19% do faturamento do setor de autopeças veio do mercado de reposição, por exemplo. O segundo fator está relacionado à regulamentação do mercado.

A abertura econômica e o Regime Automotivo, introduzidos nos anos 90 no Brasil, possibilitaram a importação de peças pelas montadoras. As compras internacionais do setor saltaram de US$ 708,2 milhões em 1989 para US$ 3,64 milhões em 1999 e um número maior de fornecedores internacionais instalou-se no Brasil passando a seguir seus clientes principais. O terceiro fator está relacionado à própria estratégia de produção das montadoras, que em grande medida determina tanto o ritmo quanto a qualidade e a tecnologia de seus fornecedores.

Para realizar suas análises, a equipe da UFSCar estudou todo o mercado brasileiro, mas aproveitou-se da proximidade física para acompanhar de perto a relação entre a Fábrica de Motores da Volkswagen instalada em 1996 na cidade de São Carlos e dez de seus fornecedores de peças. Pôde observar, por exemplo, que a influência da montadora está relacionada não apenas aos preços como também ao desenvolvimento tecnológico e ao processo produtivo. “Mesmo os grandes fornecedores, que teoricamente relacionam-se com as montadoras de igual para igual, possuem suas estratégias comerciais bastante atreladas às das montadoras”, diz Alves Filho.

O PROJETO
Consórcio Modular e seus Impactos na Cadeia de Suprimentos da Fábrica de Motores VW-São Carlos (nº 97/13071-9); Modalidade Projeto temático; Coordenador Alceu Gomes Alves Filho -Departamento de Engenhariade Produção da UFSCar; Investimento R$ 94.520,00

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