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Brasil

O prazer da gordura

Agora se sabe por que um sorvete de chocolate ou uma fatia de picanha parecem mais apetitosos que um prato de ervilhas: alimentos ricos em gordura acionam a mesma área do cérebro ativada pelas sensações prazerosas como um toque carinhoso, um perfume ou um gole de água gelada num momento de sede. Ivan de Araújo e o britânico Edmund Rolls, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, chegaram a essa conclusão, que pode ajudar a aperfeiçoar as dietas, com um teste com 12 pessoas com fome. Cada voluntário, deitado no interior de um aparelho de ressonância magnética nuclear, recebeu uma dose de cinco líquidos sem cor, cheiro ou sabor. Enquanto mapeavam a atividade do sistema nervoso de cada participante, os pesquisadores pediam que eles classificassem as amostras com respeito à viscosidade e à presença ou ausência de gordura. Rolls e Araújo, que terminou este ano o doutorado em Oxford, viram que as amostras mais viscosas despertaram uma porção de uma área do cérebro ligada à percepção de sabor – uma indicação de que viscosidade e sabor permitem ao cérebro descobrir o tipo de alimento consumido. Só o líquido rico em gordura (óleo de canola) acionou o córtex cingulado, região do cérebro ligada à percepção de sensações prazerosas, revelaram os pesquisadores em artigo no Journal of Neuroscience de 24 de março.

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