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Memória

O primeiro vôo bem sucedido

Em Paris, naquele 13 de novembro de 1899, o tempo não era lá dos melhores. O céu estava acinzentado, ventava e fazia frio. Fosse um pouco menos obstinado, o mineiro Alberto Santos Dumont (1873-1932) teria revisto seus planos. Já havia passado por experiências frustrantes, mas não desistiu: pôs-se ao ar com o dirigível nº 3 e realizou o primeiro vôo bem-sucedido controlado pelo homem. Mais curto e arredondado que os anteriores, o nº 3 aproveitava o mesmo motor, a hélice e os contrapesos do nº 2, com o qual o inventor havia se chocado contra uma árvore em maio daquele ano.

Santos Dumont sobrevoou o Campo de Marte, manobrou para cima e para baixo, à esquerda e à direita, contornou a Torre Eiffel e, como a aeronave se comportava impecavelmente, prolongou o passeio até o campo de Bagatelle, onde pousou, intacto. O nº 3 voou outras vezes e Santos Dumont não parou mais: construiu e aperfeiçoou outros balões dirigíveis até consagrar-se definitivamente em 1906, com o 14-Bis.

Os primórdios da meteorologia no Brasil
Vai chover? Para que a resposta a uma pergunta tão simples se apóie mais na Ciência e menos na intuição, o Brasil começou há 90 anos a observar atentamenteos movimentos do céu. No dia 18 de novembro de 1909, entrou em operação a Diretoria de Meteorologia e Astronomia, atual Instituto Nacional de Meteorologia, então no Morro do Castelo, no centro da cidade do Rio de Janeiro, na época capital federal. Ligado ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, o novo órgão deveria implantar uma rede de estações meteorológicase realizar a previsão do tempo, que começaram a ser divulgadas pelos jornais cariocas em 10 de junho de 1917. As incumbências, na verdade, eram bem maiores.

Sob a direção do engenheiro, astrônomo e meteorologista Henrique Charles Morize (1889-1930), a Diretoria deveria dar o “aviso aos navegantes e agricultores” sobre o tempo, noticiar por telégrafo a aproximação de tempestades, pesquisar as secas e o regime dos rios, propor medidas que amenizassem a escassez de água e realizar observações astronômicas. Tantas atribuições seriam desmembradas em 1925 entre dois órgãos, a Diretoria de Meteorologia e o Observatório Nacional. Morize manteve-se à frente do Observatório Nacional, transferido para o Morro de São Januário, no bairro de São Cristóvão.

O meteorologista Joaquim de Sampaio Ferraz (1882-1966), que analisava os dados da previsão do tempo, assumiu a Diretoria de Meteorologia, com nova sede na ponta do Calabouço, no centro. Na época, a instituição dispunha de 250 estações meteorológicas. Atualmente, com sede em Brasília, o Inmetro conta com cerca de 450 estações meteorológicas espalhadas pelo Brasil, além de dados de satélites.

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