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Tecnociência

O que vão querer?

“Um café, por favor.” “Para mim uma água.” “Eu quero um suco”… Os clientes pedem e o garçom não toma notas. Em seguida atende outra mesa e talvez até converse sobre o jogo de futebol do dia. Na volta entrega cada bebida a quem de direito, sem erros. Curioso com esse hábito comum na Argentina, onde garçons têm reputação de serem os melhores do mundo, um grupo do Instituto de Neurociências da Universidade Favaloro, em Buenos Aires, foi a um café e testou nove garçons com no mínimo nove anos de profissão e oito voluntários inexperientes. Numa primeira etapa os garçons atenderam oito convivas sem enganos, mesmo com a interferência de uma segunda mesa. A história foi bem diferente quando os pesquisadores trocaram de lugar entre si – os profissionais cometeram erros, assim como os amadores. Entrevistas revelaram que os garçons usam esquemas para auxiliar a memória, como associar o rosto de cada pessoa à cadeira onde está sentada e visualizar o ponto de cozimento da carne a cada localização na mesa. Com base nisso, o grupo descreveu o “efeito Tortoni”, em homenagem a um dos cafés mais tradicionais da capital argentina: as associações permitem aos garçons ligar a memória de trabalho à de longo prazo e consolidar rapidamente a nova informação (Behavioural Neurology).

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