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O saber com vista para o Danúbio

Budapeste tem um sonho: resgatar o status de eixo científico da Europa. Para chegar lá, investiu num centro de estudos, o Collegium Budapeste, que se inspira abertamente no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, em Nova Jersey. A tarefa é ambiciosa: o instituto de Princeton, criado em 1930, abrigou luminares como Albert Einstein e Kurt Gödel, especialista em lógica. Com uma década de funcionamento, o Collegium Budapeste já se estabeleceu como um endereço de prestígio na Europa Oriental. A instituição tem cinco centros permanentes de pesquisa e mais 20 cientistas visitantes. Busca criar um nicho de trabalho teórico em disciplinas que vão de física a linguística.

“A Hungria deixou importantes marcas na ciência e estou otimista de que Budapeste conseguirá recuperar seu papel de centro intelectual”, afirma o neurocientista Sylvester Vizi, presidente da Academia Húngara de Ciências. Um entrave já diagnosticado é o escasso intercâmbio internacional. O Collegium, no caso, é uma exceção. Tamar Gendler, filósofo e psicólogo da Cornell University em Ithaca, Nova York, é um dos 18 pesquisadores estrangeiros que trabalham no instituto. Gendler diz que se sentiu atraído pelas “inspiradas discussões com meus colegas”.

Atualmente, ele usa seu período sabático para escrever um livro sobre a base neuronal da imaginação, da autodecepção e das chamadas emoções fictícias – como o sorriso de alguém ao se imaginar numa sala com uma pessoa de quem gosta. Os novos pesquisadores queixam-se da velha-guarda e de seu pensamento com influência soviética. Mas não há sinais de escassez de cérebros. “Não temos jogadores de futebol famosos nem astros pop, então só nos resta brilhar na ciência”, diz Livia Meszaros, estudante de medicina na Universidade Semmelweis, em Budapeste, que em 2002 ganhou o prêmio da Associação Húngara de Inovação pela melhor pesquisa de ensino médio do país. Para ela, ciência tem glamour.

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