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Os impactos sutis do ecoturismo

O turismo ecológico, cujo pressuposto é a preservação dos recursos naturais, tem um custo alto. E quem paga são os animais, que, a princípio, deveriam ser protegidos. Biólogos e ecólogos, preocupados com o crescimento dessa atividade, afirmam que o assédio à fauna provoca prejuízos já observáveis em diversas espécies: a presença de turistas tem estressado ursos polares e pingüins, nas regiões polares, pássaros das florestas tropicais e até os dingos, uma espécie de cachorro selvagem da Austrália. A influência da ação humana nos ambientes selvagens se faz notar por meio de mudanças nos batimentos cardíacos, nos níveis hormonais e no comportamento dos bichos. Resultado: os animais perdem peso e muitos morrem.

É claro que não há só prejuízo. Países pobres, mas ricos em biodiversidade, dão as boas-vindas ao dinheiro dos turistas que visitam suas belezas naturais, supostamente sem prejudicar o ambiente. Com o tempo, porém, a presença crescente dos observadores pode colocar em perigo aquilo que eles tanto desejam preservar. “O ecoturismo é uma atividade alternativa ao uso indiscriminado dos recursos naturais”, diz Geoffrey Howard, do escritório da União de Preservação Mundial (IUCN) em Nairóbi, Quênia (New Scientist, 4 de março). Enquanto a IUCN e governos, como da Austrália e da Nova Zelândia, sustentam que seus projetos de ecoturismo são viáveis do ponto de vista ecológico, vários pesquisadores chamam a atenção para os impactos mais sutis dessa atividade.

“A transmissão de doenças aos animais silvestres ou as alterações de saúde causadas pela perturbação das rotinas diárias ou pelo aumento do nível de estresse podem não ser aparentes para um observador casual, mas se traduzem em uma redução da capacidade de sobreviverem e procriarem”, lembra Philip Seddon, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

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