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Estratégias

Oxigênio para a Universidade de Pequim

Do alto dos seus 205 anos e da enorme influência que exerce sobre a vida intelectual chinesa, a Universidade de Pequim, conhecida como Beida, quer mudar. Para se tornar mais inovadora e criativa, a instituição está implantando um conjunto de medidas pouco populares, que incluem o combate ao apadrinhamento acadêmico e a introdução de critérios de mérito para contratar e promover inspirados nas grandes universidades ocidentais (Science, 3 de outubro).

Providências como o fim do aproveitamento imediato dos graduados no corpo docente, a abertura de vagas para talentos de fora da instituição e a avaliação de produtividade dos pesquisadores são os destaques do pacote de mudanças. Mas não está fácil superar velhos costumes. O plano, apresentado em maio, já sofreu algumas revisões, pressionado pela choradeira generalizada.

Foram mantidas, porém, as cláusulas mais indigestas – como os prazos mais longos para as promoções e o advento de um novo estatuto, segundo o qual um terço dos principais cargos na universidade será preenchido por cientistas de renome trazidos do exterior. Mesmo entre os que apóiam as mudanças, há quem pondere que elas deveriam ser implantadas a longo prazo, mesmo porque a contratação de profissionais no exterior irá esbarrar na brutal diferença entre os salários chineses e ocidentais e poderá desestimular jovens talentos.

Em defesa da urgência, os dirigentes da Beida exibem uma estatística: 20% dos membros ativos da instituição são responsáveis por 80% do total de suas realizações acadêmicas – e isso inclui publicações, prêmios e conquista de verbas. “É importante fazermos contratações de qualidade”, diz Zhang Weiyng, articulador da reforma. “Mas não podemos esperar mais tempo.”

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