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Filóloga acusada de plágio é condenada por tribunal a ressarcir agência que financiou seus livros

Acusada de copiar trechos de outros autores e reciclar textos próprios sem dar as devidas referências, a filóloga Carla Rossi foi condenada pelo Tribunal Administrativo Federal da Suíça a devolver cerca de US$ 51 mil ‒ aproximadamente R$ 290 mil ‒ recebidos em bolsas de uma agência de fomento à pesquisa do país, a Fundação Nacional de Ciência da Suíça (SNSF). A decisão também a impede de solicitar novos pedidos de auxílio ao órgão pelos próximos cinco anos.

Rossi atua como diretora científica do Centro Scaligero de Estudos sobre Dante, em Verona, na Itália. Também fundou e preside o Instituto de Estudos Filológicos Dantescos e Digitais Avançados, em Barcelona, na Espanha, e dirige o Centro de Pesquisa para a Tradição Filológica Europeia (Receptio), na Suíça, que administra uma editora responsável pela publicação das suas obras acusadas de plágio.

A punição decorre da análise de três livros de sua autoria financiados pela SNSF. Segundo o tribunal, duas das obras apresentavam extensa reprodução indevida de conteúdo. Em um dos casos, a pesquisadora incorporou, como capítulo inteiro, um artigo de 44 páginas que já havia publicado anteriormente, sem informar a reutilização. Em outro livro, cerca de 30% do texto continha passagens copiadas de trabalhos de terceiros, algumas literais outras levemente modificadas.

De acordo com o site Retraction Watch, Rossi contestou as acusações na Justiça, alegando que as versões examinadas não eram as corretas, sugerindo manipulação digital dos arquivos disponíveis on-line. O tribunal rejeitou o argumento, uma vez que analisou as edições disponibilizadas pela editora vinculada à pesquisadora. Os juízes concluíram, por fim, que o problema ultrapassava falhas de citação e demonstrava “compreensão profundamente equivocada” sobre o que caracteriza plágio acadêmico.

A condenação é um desdobramento de um escândalo envolvendo o trabalho de Rossi, que teve grande repercussão em redes sociais. Em 2022, a Universidade de Zurique, na Suíça, investigou a então professora adjunta depois que Peter Kidd, pesquisador independente que mantém o blog Medieval Manuscripts Provenance, acusou Rossi de ter usado, em um livro dela, texto e imagens seus sem os devidos créditos – a obra é uma das três que foram agora analisadas pelo tribunal suíço. Em uma plataforma que criou para se defender do escândalo, que ficou conhecido como ReceptioGate, a filóloga afirma ser vítima de uma “campanha de difamação digital” baseada em alegações infundadas e que sua saída da Universidade de Zurique em 2025 se deu pelo término natural de seu contrato com a instituição, e não por uma expulsão, como divulgado nas redes sociais.

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