Prêmio CBMM
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Tecnociência

Perigo oculto na areia

É só ver um monte de areia que as crianças começam a cavar e construir castelos ou fazer desenhos. Mas essa diversão inocente pode guardar um risco oculto para a saúde. É que a areia pode conter ovos de parasitas de cães e gatos – entre eles, o Toxocara canis. Esse verme encontrado nos intestinos dos cachorros elimina milhares de ovos para o ambiente por meio das fezes dos cães. A criança que brinca na areia contaminada e põe a mão na boca pode acabar doente. No intestino, os ovos eclodem e liberam uma larva que migra para órgãos importantes como o fígado, o coração e os pulmões. Quando o sistema imunológico não consegue combater as larvas, surge a toxocaríase visceral, uma inflamação que se manifesta como anemia, inchaço do fígado, tosse ou asma, geralmente combatida com vermífugos e antiinflamatórios. Para ver se o risco de contaminação seria maior em alguns períodos do ano, Maisa Queiroz, do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, visitou durante 18 meses nove praças e terrenos da região sul de São Paulo freqüentados por crianças. Com a equipe de Pedro Chieffi, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, ela analisou as amostras e constatou que todas continham ovos no estágio em que infectam seres humanos. Havia ovos em maior quantidade entre fevereiro e julho, que inclui o período em que é mais freqüente o cio das cadelas (Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo). Como evitar o problema? “Tratando os cachorros com vermífugos e impedindo o acesso de cães e gatos à areia em que as crianças brincam”,  diz Maisa.

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