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Brasil

Por que a floresta está ardendo

A divulgação dos dados sobre o desmatamento da Amazônia no ano 2003, o segundo maior de toda a história, evidenciou os limites do governo federal na preservação da floresta. Uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sugere que a exploração ilegal de madeira pode estar sendo estimulada pela lerdeza dos órgãos ambientais em aprovar planos de manejo sustentável (variação sobre o mesmo tema da queixa dos pesquisadores que não conseguem licença ambiental para estudar produtos geneticamente modificados). “O desmatamento e a exploração ilegal de madeira são, de certa forma, estimulados pelos órgãos ambientais à medida que o excesso de burocracia para aprovação dos planos de manejo e a falta de fiscalização não incentivam as empresas a investir no manejo florestal sustentável”, informa o relatório do TCU. A análise dos planos de manejo deveria durar 60 dias, mas o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) chega a demorar oito meses para dar um veredicto. Mas nem só de exploração de madeira se fez a devastação de 23.750 quilômetros quadrados de floresta em 2003. Os Estados de Mato Grosso, Rondônia e do Pará foram os campeões do desmatamento, num efeito colateral da abertura de novas fronteiras agrícolas. Eis outro desafio para a política ambiental: evitar a substituição da floresta por pastos e plantações num momento em que o país amarga uma recessão e aposta na lavoura como salvação da economia.

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