Algumas revistas científicas do Iraque foram removidas das bases de dados Scopus e Web of Science, sob a alegação de que tinham práticas editoriais atípicas capazes de influenciar suas métricas de desempenho ou não se enquadravam em padrões de qualidade exigidos. Segundo o site Retraction Watch, a empresa Clarivate, responsável pela base Web of Science, retirou em novembro o Iraqi Journal of Agricultural Sciences de seu Índice de Citações de Fontes Emergentes, que engloba periódicos com relevância regional e funciona como uma espécie de antessala para a inclusão em índices de títulos de maior impacto. A publicação também foi desindexada da base Scopus, da editora Elsevier, que estendeu a suspensão ao Medical Journal of Babylon e ao Diyala Journal of Medicine.
As duas empresas não deram detalhes sobre os problemas detectados nos periódicos, mas, no caso de um deles, o Medical Journal of Babylon, já havia denúncias de uma prática conhecida como “citação coercitiva”, que é a exigência de inclusão de referências bibliográficas desnecessárias em artigos a fim de aumentar artificialmente o número de citações de um pesquisador ou instituição. De acordo com o Retraction Watch, a revista, editada pela Universidade da Babilônia, em Hilla, pressionava autores de artigos submetidos para publicação a incluírem referências de pesquisadores da instituição. O microbiologista Alaa H. Al-Charrakh, consultor editorial-chefe do periódico, havia condicionado a publicação de um manuscrito à inclusão de três citações a publicações da universidade.
Em uma postagem no Facebook, Al-Charrakh, que é docente da Escola da Medicina da Universidade da Babilônia, referiu-se a seus críticos como “pessoas rancorosas com complexos psicológicos”. Também atacou os denunciantes anônimos que relataram a prática à Scopus e ao Retraction Watch, dizendo que deveriam ser levados ao Iraque e responsabilizados por prejudicar a reputação acadêmica do país.
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