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Editorial

Procuram-se professores

Nos depoimentos de alunos do ensino médio que se inscreveram na Competição de Conhecimentos e Oportunidades da USP, o incentivo de professores é um reconhecimento recorrente. As premiações incluíram uma formação complementar preparativa para o vestibular e, para muitos estudantes, a descoberta de que havia espaço para eles no ensino superior público.

A importância de seus professores também aparece na fala do taxidermista Paulo César Balduíno, que já montou milhares de animais para exibição em museus e coleções científicas e é destaque da seção Itinerários de Pesquisa deste mês. Depoimentos desse tipo são corriqueiros quando o tema é educação e trajetórias profissionais, sinal inequívoco da relevância dos docentes e de seu impacto na vida dos alunos.

Há, entretanto, um hiato entre a inconteste importância da carreira de professor e a sua atratividade. Estudos, um deles inédito, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, mostram que as matrículas em licenciaturas caíram e o número de formandos também se reduziu. Dados da instituição apontam ainda que somente um terço dos licenciados vai atuar na docência.

O que vem sendo considerado um apagão de professores não é uma ameaça futura, mas sim uma realidade: ainda segundo o Inep, em 2022, apenas cerca de 60% das vagas de docentes no ensino fundamental II eram ocupadas por professores qualificados na área do conhecimento correspondente. A reportagem de capa traz dados relevantes para uma reflexão urgente acerca da educação básica no Brasil, que vem apresentando avanços e não pode retroceder pela falta de pessoal especializado.

É rara, nesta revista, a publicação de uma entrevista em dupla, mas neste mês houve um bom motivo para trazermos dois entrevistados em conjunto: os meteorologistas Pedro Leite e Maria Assunção Dias são casados há 50 anos e se dedicam a pesquisar temas muito próximos. Enquanto ele é especialista em modelagem climática nos trópicos, ela estuda a interação do clima com a floresta amazônica. Na entrevista, eles contam como estudos na Amazônia deram peso à pesquisa climática brasileira.

Cobrir um amplo leque de áreas do conhecimento é um dos pilares de Pesquisa FAPESP. A equipe procura, mensalmente, pautas para garantir a diversidade temática, cada uma com suas especificidades e complexidades. Nesta edição, os mais recentes episódios da busca pelos materiais supercondutores ganham ar de série de streaming na narrativa do editor Marcos Pivetta. A história de um objetivo científico que é perseguido há mais de 100 anos tem, nessa nova temporada, tons de aventura e drama, explicada com clareza para que leitores que chegam agora também acompanhem a história.

Para fechar, a divertida história de uma orquídea do Cerrado que engana as moscas que a polinizam. Atraídos com falsa oferta de alimento – as chamadas orquídeas-sapatinho parecem oferecer abundância de pequenos pulgões, mas não passa de uma ilusão de ótica, mostram pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia –, os insetos acabam por escorregar para dentro da flor. O spoiler é que elas conseguem escapar; para saber como, vá diretamente à página 55.

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