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Tecnociência

Pupunhas no Arco do Fogo

Pesquisadores do Acre, Amazonas e Pará estudaram duas variedades silvestres da pupunheira, palmeira que produz a pupunha, fruto saboroso de alto valor nutritivo. Os frutos das variedades silvestres são menores e mais oleosos que os das cultivadas, importantes para a produção de palmito. Seria uma boa notícia se as variedades silvestres não estivessem numa faixa da Floresta Amazônica que vai do Maranhão ao Acre conhecida como Arco do Fogo, sujeita a intenso desmatamento. Por meio de análises de fotos aéreas, levantamentos botânicos e expedições financiadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), Charles Clement, Evandro Ferreira e Sylvain Desmouliere, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Ronaldo Santos, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, e João Farias Neto, da Embrapa Amazônia Oriental, viram que as populações silvestres de Bactris gasipaes são pequenas e ocupam áreas próximas a rios e riachos (PLoS One). Muitas já desapareceram. As análises mostraram que a rodovia BR-163 favorece essa extinção. “A blindagem ambiental não funciona como o MMA espera”, conta Clemente. Muitas populações remanescentes estão isoladas em fragmentos florestais, o que ameaça a reprodução e a reocupação de  outros espaços. “As implicações são evidentes, uma vez que a conservação ex situ [fora da área de origem] é economicamente inviável.”

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